Análise Tática: Erro de postura leva Fluminense a sofrer virada do Atlético-GO

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A derrota do Fluminense para o Atlético-GO na última quarta-feira (05), no Estádio Antônio Accioly teve contornos atípicos. O gol de Jhon Arias, de pênalti, logo nos primeiros minutos não chegou a ser estranho, a não ser pelo fato de Ganso ter cobrado as últimas penalidades. Nem os dois gols de Cano com um toque, mas que só um valeu.

Estranho mesmo — do sentido de fora do normal — foi a postura da equipe na segunda etapa. Vencendo por 2 a 1, os jogadores recuaram e mesmo com Diniz para avançar a marcação, o time permaneceu acuado até sofrer a terceira virada no Brasileirão.

Para a partida, Diniz não contou com Samuel Xavier e Manoel, suspensos. E o time sentiria falta dos dois. Meio-campista de origem, além de marcar, o camisa 2 encurta as linhas ao chegar no ataque e participa da armação por dentro. Enquanto o camisa 26 é o melhor jogador na bola área tanto ofensiva quanto defensivamente. Além disso, o treinador optou por Nathan no lugar de Matheus Martins, que vem oscilando por conta da juventude.

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Contudo, o Flu pareceu que não sentiria tanto. Isso porque, logo aos dois minutos, Ganso pisou na área e sofreu pênalti marcado após consulta ao VAR. Mesmo com Ganso em campo, Arias bateu e abriu o placar.

Arias cobrando pênalti contra o Atlético-GO
Colombiano Jhon Arias marcou o 16º gol na temporada (Foto: Marcelo Gonçalves/Fluminense FC)

Cano marca duas vezes para ampliar a vantagem

Mesmo com o placar a favor, o Flu não manteve o mesmo nível de atuação. A equipe de Fernando Diniz não conseguiu aproximar os jogadores e trocar passes rápidos. Com 194 passes trocados na primeira etapa, tocou menos a bola, por exemplo, que no Fla-Flu (210), partida em que esteve bastante pressionado. Entretanto, o Tricolor se mostrava letal no ataque.

Aos 32, Cano ampliou, mas a arbitragem marcou impedimento do camisa 14. Cerca de cinco minutos depois, no entanto, o argentino aproveitou o cruzamento de Arias para ampliar.

Cano marcou o 35º gol no ano e superou a melhor temporada de Fred com a camisa tricolor (Foto: Marcelo Gonçalves/Fluminense FC)

Fluminense não encontra Atlético-GO na bola parada

Além da marcação-pressão que dificultava a saída de bola tricolor, o Atlético-GO explorou outras fraquezas do Fluminense. Principalmente a defesa em jogadas aéreas. Foram seis bolas no alto ganhas no primeiro tempo e mais cinco na etapa complementar.

O gol do Dragão, curiosamente, saiu de uma cabeçada que não ia na direção do gol. Após cabeceio de Lucas Gazal, a bola resvalou no braço de Nino. Churín cobrou com perfeição e descontou. E o argentino, de cabeça, quase empatou nos acréscimos, mas a bola bateu na trave de Fábio.

No segundo tempo, a equipe goiana colocou Léo Pereira na vaga de Luiz Fernando. Com dois pontas agressivos, o Rubro-Negro empurrou o Flu para trás. No mano-a-mano, Calegari e Cristiano tiveram dificultade de marcar.

O Fluminense, no entanto, ainda teve três chances com Cano de cabeça, Martinelli aparecendo como elemento-surpresa e colocando o peito e com Nathan de fora da área. Mas o Dragão que chegou ao empate a partir de outra bola parada.

Baralhas, que vinha comandando o meio-campo com quatro desarmes e três interceptações — de acordo com dados do SofaScore —, aproveitou o bate-rebate na área e empatou.

Fernando Diniz inconformado com a derrota do Fluminense para o Atlético-GO
Antes do Atlético-GO empatar, Fernando Diniz já estava chamando o time para frente. Treinador admitiu na coletiva que estava cobrando bolas longas para desafogar da pressão atleticana (Foto: Marcelo Gonçalves/Fluminense FC)

Logo após o gol de empate, Diniz mexeu muito no time. O treinador — que já havia colocado Matheus Martins no lugar de Arias, lesionado — colocou de uma vez Caio Paulista na vaga de Calegari, Michel Araújo na de Nathan e Marrony na de Felipe Melo.

Espaços na frente da área e Lei do Ex resultam em virada

Com as mexidas, André passou a atuar mais recuado da mesma forma que contra o Santos e Fortaleza, e Martinelli ficou na proteção. Mas, a mudança acabou por deixar a defesa exposta e o Dragão começou a aproveitar o espaço na entrada da área. Foram duas chances semelhantes no mesmo minuto.

Mesmo com Willian Bigode entrando no lugar de Cristiano, o Tricolor pouco pode fazer para mudar a situação. Com o resultado, o Flu chega ao segundo jogo seguido sem vitória. O Tricolor não vence fora do Rio há seis jogos e não vence o Atlético-GO em Goiânia há 10 anos.

Depois de perder para o Atlético-GO, o Fluminense volta a campo no próximo domingo (09), diante do América-MG, às 18h, no Maracanã.

ST


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Lucas Meireles

Jornalista formado pela UFRRJ, apaixonado por esportes e pelas boas histórias.

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