Fala, professor! Roger: “Cada adversário vai propor uma dificuldade diferente e não vai ser todo jogo que a gente vai ter três ou quatro oportunidades de gols”

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Por Vinicius Brandão e Caio Ramos

 

Na noite desta quinta-feira (17), o Fluminense venceu o Santos por 1×0 no estádio do Maracanã. Após a partida, o técnico Roger Machado participou da coletiva de imprensa. O treinador comentou sobre os adversários do Flu, atuação de Nenê, calendário do futebol brasileiro e muito mais. Confira:

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Análise geral da partida:

“É sempre muito difícil jogar contra os times do Fernando. São times que têm uma rotação grande dentro do campo, trocam muito de posição, pesam o lado com os laterais, tentando ter superioridade numérica pelos corredores, em especial pelo lado esquerdo, nesse jogo de hoje. Foi preciso a ajuda do nosso terceiro jogador de meio, que é o nosso tripé, porque a gente ia ter na maioria das vezes os nossos dois volantes pra equilibrar esse número de jogadores. Às vezes que a gente não conseguiu com agilidade fazer isso, eles geraram um pouco de superioridade e chegaram pelo corredor lateral. Fora isso, até mesmo a ausência do torcedor acaba de uma certa forma mudando a dinâmica do jogo, porque se nós estamos dentro de casa contra um adversário que tenta te buscar e te insinuar a posse com o goleiro pra te tirar lá de trás, a gente não conseguiria fazer o bloco baixo como fizemos porque a torcida jogando dentro de casa, evidentemente, ela quer sempre que seu time busque a bola dentro do campo do adversário todas as vezes. Não dá pra marcar pressão sempre. O que talvez tenhamos pecado em um momento, um pé na bola, um desarme, a gente não conseguiu acelerar pra pegar o time do Santos desarrumado. E é uma ou outra oportunidade que vazou, eles conseguiram um contra-ataque rápido contra nossa linha, mas a gente conseguiu intervir e, na maioria das vezes, cessar esses ataques. A gente sabia que ia ser um jogo de poucas oportunidades, mas era importante vencer. Como eu disse nós alternamos bloco baixo e bloco alto. Pra isso você precisa estar com peças descansadas o tempo inteiro. Então a proposição das trocas também foi por isso, pra gente manter o frescor dos jogadores da frente e seguir pressionando. O gol saiu nessa troca de corredor. Na mesma forma que o Santos coloca muita gente perto da bola pra jogar, automaticamente, quando perde ele tá com muita gente pra fazer o pós-perda. Seria muito difícil pra gente sair pelo mesmo lado. Era importante a gente virar, inverter o corredor e tentar entrar pelo corredor do outro lado para depois acessar a área. Uma vez que nós fizemos isso, nós levamos vantagem.
Nosso gol saiu numa jogada dessa que originou um lateral, e do lateral nosso gol, numa jogada dentro da área.

Os adversários encontraram uma forma de jogar contra o Flu?

“Cada adversário irá te propor uma dificuldade diferente. O fato de muitas vezes a gente não conseguir terminar a jogada em que possam gerar finalização, também é um pouco dos adversários entendendo o nosso modo de jogar, então a gente deve criar alternativas para que que isso não aconteça. A questão é eficiência. Posse de bola versus quantas vezes você chegou no último terço do adversário e quantas vezes finaliza no alvo. Vai ter jogos que vamos ter muitas finalizações, dependendo da forma como adversário joga. Quando a gente propõe um tipo de jogo e consegue executar com 90% de eficiência, hoje foi um desses jogos, tivemos três ou quatro oportunidades ao roubar a bola dentro do campo de perigo do Santos. Cada adversário vai propor uma dificuldade diferente e não vai ser todo jogo que a gente vai ter três ou quatro oportunidades de gols. Quando tiver, tem que ser eficiente como foi hoje”.

Wellington e André

“São dois jogadores de características, não parecidas, mas existem similaridades entre elas, são dois primeiro homem de meio-campo, que controlam a entrelinha e dão proteção para defesa. No momento em que eu oportunizei a chance do Wellington jogar, eu chamei os dois, justamente pra salientar que o Wellington estava tendo a oportunidade. Sei que o jogador de meio-campo precisa de ritmo de jogo, pra entrar na sua melhor forma, são jogadores mais pesados no meio. Salientei pro Wellington que o André estava treinando muito bem e que a resposta precisava ser dada. Mesmo o treinador tendo essa sensibilidade, o André está merecendo essa oportunidade também e ela vai vir no decorrer dos jogos porque de fato o André tem treinado bem.
André se capacitou, ele se habilitou pra estar entre as opções. Por vezes eu tenho optado em não fazer o banco com dois volantes, com as mesmas características, pensando que numa emergência eu posso ter o Wellington, posso ter o Calegari pra uma segunda função, e pensando mais do meio pro ataque. Mas o André está próximo de receber uma oportunidade porque vem atuando bem”.

Atuação de Nenê e condição física do atleta:

“A longevidade do atleta está relacionado a qualidade que ele teve durante a carreira como atleta, jogador de futebol profissional. O fato dele ter jogado metade ou mais da metade da carreira dele fora do Brasil… Dificilmente o jogador que atua o tempo inteiro no futebol brasileiro vai conseguir chegar aos 40 anos com a energia que ele tem. Eu joguei até os 34, acabei a carreira com artrose nos dois tornozelos, seis cirurgias de joelho, uma de púbis, três hérnias de disco… porque se arrebenta o jogador de futebol com esse calendário.
Então, o Nenê, fisiologicamente, não tem 39 anos. Ele deve ter no máximo 34, 35 anos.
Outro dia eu recebi o relatório do mês, relatório de fisiologia do apanhado de um mês. O nenê faz os mesmos volumes de treino, de jogo, do que os nossos jogadores mais jovens e com a mesma característica. No último mês, Biel, Yago, Martinelli, que são jogadores que fazem muito volume, fizeram mais de 100km de volume entre os jogos e o Nenê estava entre eles. É um dos que mais faz volume.
Claro que o jogador naturalmente perde um pouco da sua potência, mas compensa com sua experiência, com sua liderança.. Eu converso muito com ele porque ele enxerga muito e passa muitas informações pra fora do campo… Como essa que eu dei na resposta anterior, que pelo fato do Santos pesar um lado com muitos jogadores pra criar superioridade, nós tínhamos que botar nossos dois volantes no corredor lateral e ele fazer esse papel como um terceiro volante pra não permitir que sobrasse espaço pros jogadores do Santos atuar. Volta e meia, nas duras, nas cobranças que eu faço, ele brinca comigo “tu não cobrou do fulano que errou, só cobrou de mim” No fechamento, eu falei não retruca comigo na beira do campo. Mas é uma relação construída. O Nenê é um cara apaixonado pelo jogo e às vezes quando ele demonstra essa insatisfação, por ter que sair antes da hora que ele entende que deveria sair, por estar gostando do jogo.,.. Isso tudo faz parte. A gente vai fazendo a gestão desse processo, dando a oportunidade para todos estarem em campo. 100 jogos é uma marca importante e sendo decisivo ainda.”

Calendário do futebol brasileiro

“É um paradoxo e uma inversão de valores, os clubes não têm o que reclamar. Nós treinadores se reclama da convocação do treinador da seleção que convoca muitos jogadores de um clubes, ou se questiona o treinador que tem que trocar jogadores de um jogo para outro por causa do calendário. Essa crítica não tem que ser direcionada a nós treinadores, tem que ser direcionada para quem organiza o calendário doido desse. O treinador sempre que possível tem que colocar os melhores e os mais descansados em campo, e convocar os melhores. O calendário brasileiro para ficar ruim tem que melhorar muito. O futebol brasileiro vai evoluir quando houver uma melhora no calendário, tudo vai melhorar”.

Convocação do Nino:

“O Nino convocado valoriza o trabalho de todos. Ele já estava na seleção quando eu não estava aqui, então não é mérito meu, é mérito do clube e do atleta, que sempre planejou os melhores momentos da carreira e isso é uma delas”.

O Fluminense volta a campo no próximo domingo (20), em partida contra o Fortaleza, às 18h15, no estádio Castelão


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