Além de Marcelo, relembre outras crias de Xerém que retornaram ao Fluminense

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Já dizia aquele velho ditado, “um bom filho à casa torna”. E no Fluminense não é diferente. Na última sexta-feira (24), o lateral-esquerdo Marcelo se tornou mais uma das crias de Xerém a retornar às suas origens.

Revelado em 2005 com apenas 17 anos, Marcelo começou a ganhar destaque na temporada seguinte. Em pouco mais de um ano entre os profissionais, se tornou titular, disputou 40 jogos com seis gols marcados e três assistências, foi eleito o melhor lateral-esquerdo do Campeonato Brasileiro e assinou com o poderoso Real Madrid.

No clube espanhol, aliás, o lateral construiu uma bela trajetória no futebol europeu. Sucessor de Roberto Carlos, disputou 546 e conquistou 25 títulos com a camisa merengue, sendo quatro Mundiais, cinco Champions League e seis vezes o Campeonato Espanhol. Além disso, ainda disputou duas Copas do Mundo pela Seleção Brasileira e vestiu a camisa do Olympiakos, da Grécia. Hoje, o lateral enfim retornou ao Flu.

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“É até difícil expressar o significado que esse momento representa para mim. São muitos anos sonhando em retornar às minhas origens, ao time que me formou e ensinou o que sei de futebol”, disse o novo camisa 12 do Tricolor.

Marcelo volta ao Fluminense após 17 anos (Foto: Reprodução/Fluminense FC)

Crias de Xerém que já voltaram para casa

Desde que inaugurou o Centro de Treinamento Vale das Laranjeiras, localizado no distrito de Xerém, Duque de Caxias, em 1995, o Fluminense tem revelado um grande número de talentos para o futebol nacional. Hoje, por exemplo, o time conta dois jogadores formados no clube, André e Martinelli, como titulares, além de Arthur que começa surgir como mais uma revelação.

Crias de Xerém que já retornaram ao clube em algum momento da carreira
(Foto: Reprodução)

Entre muitas saídas, assim como Marcelo, algumas destas crias de Xerém às vezes encontram o caminho de volta. No atual elenco, aliás, vai encontrar outro filho pródigo da base tricolor. O atacante Alan passou por Xerém antes de estrear pelos profissionais. Depois disso, passou pelo futebol austríaco e até se naturalizou chinês enquanto atuava no país asiático antes de acertar seu retorno em 2022.

Confira outras crias de Xerém que também viveram esta situação:

Júnior César

Uma das crias de Xerém, Júnior César com a camisa do Fluminense
Júnior César esteve em campo na final da Libertadores (Foto: Pedro Kirilos/Photocamera)

Batizado em homenagem ao ex-jogador do Flamengo e hoje comentarista do Grupo Globo, Júnior César parecia destinado à lateral-esquerda. O jovem estreou pelo Fluminense em 2001, fez parte do time campeão carioca de 2002 e disputou 118 jogos com quatro gols até 2004, quando deixou o Fluminense  rumo ao Santos Laguna, do México.

Em 2006, acertou com o rival Botafogo, mas só ficou uma temporada no clube da Estrela Solitária. No ano seguinte, Júnior César retornou ao Fluminense para participar da conquista da Copa do Brasil e do vice-campeonato da Libertadores. Disputou mais 106 partidas antes de sair para o São Paulo e marcou mais dois gols — sobretudo em chutes fortes de fora da área, uma de suas maiores armas em campo. O lateral ainda vestiu as camisas de Flamengo, Atlético-MG, Botafogo e Itaboraí, encerrando a carreira no Cliper-AM.

Leandro Euzébio

Leandro Euzébio comemorando gol pelo Fluminense
Leandro Euzébio é o quinto zagueiro com mais gols vestindo a camisa tricolor, ficando atrás só de Pinheiro, Edinho, Silveira e Gum (Foto: Reprodução/Fluminense FC)

Quando Leandro Euzébio deixou o Fluminense em 2001, talvez não imaginasse um retorno tão triunfante. O zagueiro que chegou a Xerém já no Sub-20 só disputou um jogo em 2001.

“Quando saí, o Fluminense tinha muitos zagueiros bons. Graças a Deus pude voltar, ganhar dois títulos brasileiros e nas duas vezes com a defesa menos vazada. Às vezes, o cara está ali no clube não tendo muita oportunidade e pode ir para outro clube e ser feliz. Mas tem que ter sempre a vontade de voltar para o Fluminense. Assim aconteceu comigo”, contou o ex-zagueiro em entrevista ao “ge” em 2013.

Mas antes, peregrinou por Rio das Ostras, Bonsucesso, América-MG, Cabofriense, Cruzeiro, Náutico, Omiya Ardija-JAP e Goiás, antes de voltar ao Flu em 2010 — primeiramente por empréstimo e depois em definitivo.

Ao lado de Gum, formou uma emblemática dupla de zaga na conquista dos Campeonatos Brasileiros de 2010 e 2012, quando o Tricolor terminou com a melhor defesa da competição. Desta vez foram 166 jogos com a camisa tricolor. Além disso, se provou um zagueiro-artilheiro com 15 gols marcados.

Em 2015, no entanto, acertou Al-Khor, do Qatar. Também passou por Tupi, Anápolis, Sergipe, antes de pendurar as chuteiras defendendo a Cabofriense, clube da sua cidade natal na Região dos Lagos.

Carlos Alberto

Capitão, Carlos Alberto ergueu o troféu da Copa do Brasil 2007 (Foto: Divulgação/Fluminense FC)

Da mesma forma que Marcelo, Carlos Alberto também começou a carreira com só 17 anos. Revelado em 2002, o promissor meia participou da conquista do Campeonato Carioca no mesmo ano. Foram 78 jogos e 12 gols pelo Flu até 2003, quando assinou Porto, de Portugal por € 2,5 milhões de euros, de acordo com dados do Transfermarkt. Pelos Dragões, conquistou então a UEFA Champions League e a Copa Intercontinental de 2004.

Carlos Alberto ainda passou pelo Corinthians antes de voltar ao Tricolor. Em seu retorno, chegou vestindo a camisa 10 e a braçadeira de capitão no título da Copa do Brasil 2007. Contudo, a segunda passagem — agora de trancinhas — só durou um semestre. Desta vez foram apenas 20 jogos e seis gols. O meia acabou afastado pelo então técnico Renato Gaúcho por estar negociando com o Weder Bremen, da Alemanha.

O clube alemão pagou € 7,8 milhões de euros (cerca de R$20,2 milhões de reais à época) pelo jogador. Além disso, o meia ainda passou pelos rivais Botafogo e Vasco, São Paulo, Grêmio, Goiás, Figueirense e Athletico Paranaense antes de encerrar a carreira no Boavista.

Antônio Carlos

Antônio Carlos em campo no Fla-Flu
Antônio Carlos tinha 32 anos quando retornou a Laranjeiras (Foto: Bruno Haddad/Fluminense FC)

Autor do gol do título do Cariocão de 2005, Antônio Carlos disputou 93 partidas e balançou as redes antes de Flu em Julho do mesmo ano rumo ao Ajaccio, da França. Demorou uma década, incluindo passagens por Athletico Paranaense, Atlético-GO, Botafogo e São Paulo, mas o zagueiro retornou.

Contudo, a volta do defensor durou pouco. Alvo de críticas, só disputou 17 jogos, não marcou nenhum gol e não teve o contrato renovado ao final da temporada. Ainda passou Avaí, Ceará, Brusque, Magallanes-CHI, Brasiliense e encerrou disputando a segunda divisão do Campeonato Carioca com a camisa do Olaria.

Diego Souza

Apresentação de Diego Souza no Fluminense
Volta de Diego Souza durou apenas três meses (Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC)

Diego Souza — até então só Diego — surgiu no Fluminense jogando como volante em 2003. Foram 67 jogos até 2005 e cinco gols marcados, além de um título carioca em 2005, quando assinou com o Benfica, de Portugal.

Mas o jogador sequer chegou a atuar pelo clube português. Ao invés disso, voltou ao Rio emprestado por duas temporadas ao Flamengo. Jogando de forma cada vez mais adiantada, como meia peregrinou por Grêmio, Palmeiras — onde foi eleito o craque do Brasileirão 2009 —, Atlético-MG, Vasco, Al-Ittihad, da Arábia Saudita, Cruzeiro, Metallist-UCR e Sport antes de voltar a vestir a camisa do Fluminense.

Para isso, o Tricolor precisou desembolsar € 600 mil euros (cerca de R$ 2,4 milhões de reais) para adquirir os direitos economicos do atleta junto a equipe ucraniana. Diego inclusive recebeu a camisa 10, só que a segunda passagem pelo Tricolor durou pouco. Foram apenas nove jogos e quatro gols antes de retornar ao Sport, que ficou de arcar com 50% do valor. Ainda assim, o meia foi decisivo na vitória por 4 a 3 sobre o Cruzeiro em pleno Mineirão pela Copa da Primeira Liga, quando balançou as redes três vezes.

Além do Leão da Ilha do Retiro, Diego ainda passou São Paulo e Botafogo. O hoje centroavante defende o Grêmio e tem contrato com o time de três cores do Rio Grande do Sul até Julho.

Thiago Silva

Despedida de Thiago Silva no Maracanã
Thiago Silva se despediu do Maracanã logo após uma partida contra a Portuguesa pelo Brasileirão de 2008 (Foto: Reprodução/Fluminense FC)

Antes do anúncio de Marcelo, parte da torcida tricolor sonhava com um possível reencontro de duas crias de Xerém no Tricolor. Contudo, Thiago Silva renovou por mais uma temporada com o Chelsea e adiou as chances.

Mas a passagem entre 2006 e 2008 já pode ser considerado uma volta. Isso porque o zagueiro atuou em Xerém durante as divisões de base, mas saiu em definitivo e estreou pelos profissionais no RS Futebol Clube. Antes de se tornar “o mito que a torcida consagrou”, o defensor ainda passou por Juventude, Porto-POR e Dínamo de Moscou-RUS. A passagem pelo futebol russo, aliás, deixou marcas. Thiago sofreu com uma tuberculose e perdeu até um pedaço do pulmão.

De volta ao Brasil, o “Monstro” enfim estreou como profissional do Fluminense. Com 147 jogos e 14 gols marcados, Thiago Silva também foi peça-chave na conquista da Copa do Brasil e no vice-campeonato da Libertadores. No fim de 2008, porém se despediu em uma linda festa no Maracanã com a promessa de um dia voltar (mais uma vez). Atuando no futebol europeu, já vestiu as camisas de Milan e PSG antes de chegar aos Blues, além de disputar três Copas do Mundo.

Digão

Digão com a camisa tricolor em 2018
Mais experiente, Digão vestiu a braçadeira de capitão em diversas oportunidades quando retornou ao Tricolor (Lucas Merçon/Fluminense FC)

Revelado em 2009, Digão fez a sua estreia entre os profissionais ainda no Campeonato Carioca. E, logo no segundo jogo, acabou expulso no empate em 2 a 2 com o Boavista. O zagueiro só foi se tornou titular mesmo ao lado de Gum e Dalton durante a arrancada que salvou o time do rebaixamento — e ainda assim não jogou todos os jogos porque sofreu uma fratura no pé durante a vitória contra o Cerro Porteño pela semifinal da Copa Sul Americana (sendo substituído no esquema de Cuca por Cássio).

Reserva da dupla Gum e Leandro Euzébio, Digão também participou da conquista dos dois Campeonatos Brasileiros em 2010 e 2012. Foram 94 jogos e quatro gols marcados antes de se tornar ídolo no Al-Hilal, da Arábia Saudita. Passou também pelo Al Sharjah e pelo Cruzeiro antes de retornar ao Fluminense em 2018.

Desta vez, disputou menos partidas, 86, mas balançou as redes mais vezes, cinco. No fim de 2020, contudo, deixou novamente o Tricolor para acertar com o Buriram United, da Tailândia, mesmo clube dos crias de Xerém Samuel e Maicon Bolt, além do técnico Alexandre Gama, que inclusive conquistou uma Copinha pelo Flu como jogador da base.

Wellington Nem

Mais uma das crias de Xerém, Wellington Nem em campo pelo Fluminense
Wellington Nem entrou como titular em apenas seis jogos no seu retorno ao Flu (Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC)

Cria de Xerém, Wellington Nem despontou como revelação da Série B enquanto esteve emprestado ao Figueirense em 2011. No ano seguinte, com apenas 20 anos se destacou na campanha do título do Campeonato Carioca e do Brasileiro de 2012 em meio a nomes experientes como Deco, Fred, Thiago Neves e Wagner, por exemplo.

Foram 83 jogos e 19 gols marcados antes de ser negociado com o Shaktar Donnetski-UCR por € 9 milhões de euros em 2013. Depois de anos no Leste Europeu, o atacante ainda passou por empréstimo pelo São Paulo antes de retornar ao Flu — também por empréstimo — em 2019. Mas a sua volta esteve longe de render o mesmo que a primeira passagem com a camisa tricolor. Nem disputou apenas 20 partidas e marcou um gol pelo clube.

Desde então, passou por Fortaleza, Cruzeiro, Arouca-POR e atualmente está defendendo o Vitória.

Wellington Silva

Como outras crias de Xerém, Wellington Silva em campo pelo Fluminense
Mais experiente e mais forte, Wellington Silva passou a ser chamado só de Wellington por causa do seu xará lateral-direito (Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC)

Considerado um talento de Xerém, Wellington Silva já subiu para o profissional vendido por € 4 milhões de euros ao Arsenal, da Inglaterra. Esperando completar 18 anos, o atacante ainda disputou 17 jogos e marcou um gol em 2012, quando conquistou o Campeonato Carioca.

O “Tartaruga Ninja”, porém, não chegou a atuar com a camisa dos Gunners. Em contrapartida, acabou emprestado a Levante, Alcoyano, Ponferradina, Real Murcia e Almeria, todos da Espanha, além do Bolton Wanderes, da Inglaterra.

Em 2016, o Fluminense chegou a um acordo com o time londrino e o repatriou. Desta vez, foram 101 partidas com 16 gols e oito assistências, além de duas temporadas emprestado ao Internacional. Em 2021, acertou com o Cerezo Ozaka, do Japão. Recentemente, foi anunciado como novo reforço do Cuiabá.

Caio Paulista

Caio Paulista marcando na vitória do Fluminense sobre o Internacional pelo Brasileirão 2020
Em 2020, Caio Paulista marcou o gol da última vitória do Fluminense sobre o Internacional pelo Brasileirão (Foto: Mailson Santana)

Assim como Thiago Silva, Caio Paulista é outra das crias de Xerém que também fez boa parte da sua formação na base do clube e não chegou ao profissional.  O atacante acabou dispensado, mas voltou ao Fluminense logo após se destacar no Brasileirão de 2019 com a camisa do Avaí.

Contratado à princípio por empréstimo junto a Tombense, o Tricolor investiu US$ 1,5 milhões de dólares (R$ 7,9 milhões de reais à época) na compra de 100% dos seus direitos federativos e 50% dos direitos economicos. Ao todo, o camisa 70 disputou 122 jogos com nove gols marcados e oito assistências antes de ser emprestado ao São Paulo.

Alan

Até aqui, Alan disputou oito jogos e marcou dois gols em seu retorno (Foto: Marcelo Gonçalves/Fluminense FC)

Por fim, o último dos crias de Xerém a retornar ao clube — antes de Marcelo — Alan veio do Londrina ainda para a base do Fluminense. O atacante estreou em 2008, fazendo parte do grupo que chegou a final da Libertadores. No ano seguinte, teve a missão de substituir Maicon Bolt durante a arrancada que salvou o time do rebaixamento. Ao todo, foram 86 jogos e 24 gols nos três anos.

Em 2010, no entanto, deixou o clube rumo ao RB Salzburg, da Áustria. Depois de cinco temporadas, trocou o futebol europeu pela China, onde vestiu as camisas de Guangzhou, Tianjin e Beijing Guoan. Mesmo naturalizado e tendo jogado pela seleção do país, o atacante tomou o caminho de volta em 2022.

ST


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Lucas Meireles

Jornalista formado pela UFRRJ, apaixonado por esportes e pelas boas histórias.

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