Presidente Mario Bittencourt fala sobre venda de Luiz Henrique: “O clube precisa passar por um momento de reconstrução”

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No sábado (12/03), o Fluminense empatou sem gols com o Boavista pela última rodada da Taça Guanabara – título vencido pelo clube. Apesar da equipe ter entrado em campo, a principal manchete Tricolor no dia foi a possível venda do atacante Luiz Henrique para o Real Betis, da Espanha. Neste domingo (13/03), o presidente do Flu, Mario Bittencourt, concedeu entrevista coletiva no CT Carlos Castilho e esclareceu a situação do Moleque de Xerém.

Presidente Mario Bittencourt em entrevista coletiva
Mário Bittencourt foi eleito em junho de 2019 (Foto: Lucas Merçon/FFC)

“Primeiramente queria dizer a todos que estão presentes aqui e em especial aos nossos torcedores que o fato de estarmos fazendo um excelente início de temporada e termos conseguido montar um bom time para esse ano que vamos disputar muitas competições importantes, não significa que nós não sigamos em reconstrução financeira e reconstrução do clube como um todo. Viemos falando ao longo desse três anos que aqui estou que o clube precisa passar por um momento de reconstrução, com medidas que as vezes nos entristece ou impopulares para que a gente possa seguir em frente em razão de tudo que encontramos aqui quando chegamos. O que interfere no nosso dia a dia e isso não é uma reclamação, mas sim, uma constatação do trabalho que estamos fazendo. No final do ano passado e início deste ano, recebemos a primeira e única oferta nos últimos dois anos pelo atleta Luiz Henrique e naquele momento nós tínhamos um cenário com duas outras situações em aberto. Ou seja, estávamos buscando fechar duas operações, sendo uma delas do Nino e outra do Gabriel Teixeira. Quando chegaram as primeiras sondagens e aí sim, a primeira proposta oficial pelo Luiz nesses últimos dois anos. Falo nesses últimos dois anos porque quando ele ainda estava no início de subida para o profissional, recebemos uma ou duas propostas muito baixas do futebol português por algo em torno de 1,5 milhão e 2 milhões de euros. Mesmo sem o jogador ser titular do Fluminense, mesmo sem o jogador ter performado, acreditávamos no potencial dele e recusamos. Depois disso, foram dois anos que ele vem atuando. Nós não recebemos em nenhum momento  proposta nesse sentido e no final, início deste ano, recebemos a primeira proposta concreta que foi uma proposta que achamos muito abaixo de 7 milhões de euros por 100% do próprio clube que estamos negociando agora. Dissemos não e as negociações seguiram nos meses de janeiro e fevereiro. Portanto, para deixar bem claro: nada ocorreu após o jogo de quarta passada, nada ocorreu após o nosso primeiro jogo na Libertadores. Enfim, essa era uma negociação que vinha sendo feita e que o clube vinha resistindo, fazendo contrapropostas e acreditando que duas outras operações fossem se concluir, o que não aconteceu. Além disso, temos o seguinte cenário de início de ano: depois da saída da empresa de televisão que patrocinava o Campeonato Carioca em 2020, ainda tivemos uma receita pela rescisão do contrato em 2021, mas em 2022, essa receita zerou. Então nos quatro primeiros meses do ano não temos receita nenhuma de televisão e além de tudo, as receitas de televisão do Campeonato Brasileiro só iniciam em maio e mesmo assim e aí não vai nenhuma crítica, mas uma constatação, que quando chegamos em 2019, tínhamos 100% dessas receitas comprometidas com empréstimos. 100% das receitas de televisão estavam comprometidas por empréstimos feitos por administrações passadas e hoje nós temos mais ou menos 50% ainda comprometida. Portanto, todo esse cenário de falta de recursos no início do ano, de recursos comprometidos, de dívidas que ainda temos de curto prazo que colocam a nossa sobrevivência em risco, por exemplo: esse ano ainda temos que pagar 17 milhões de reais em dívidas internacionais de compras de jogadores como por exemplo do Sornoza e do Orejuela, que ainda não terminamos de pagar e ainda temos parcelas importantes para pagar. A falta desse pagamento pode gerar o impedimento de transferências na janela de meio do ano e e retirar pontos das competições que disputamos. Além disso, ainda temos as parcelas do ProFut que estamos pagando e vamos entrar no regime de centralização de execuções que a gente obteve tanto na justiça do trabalho quanto na justiça cívil, onde os pagamentos começam em abril. Voltando um pouquinho, se as vendas que a gente não conseguiu fazer por circunstâncias alheias a nossa vontade e cito aqui os casos do Nino e do Gabriel Teixeira. O Gabriel, devolvido por alegações de problemas médicos e o Nino, o Fluminense exigiu um valor, o clube que é parceiro do Fluminense aceitou o valor que o Flu exigiu início, mas no dia de assinar o documento, desistiu de fazer a venda. Antes disso, já havíamos recebido uma proposta pelo Nino também e naquela ocasião foi da decisão do jogador em não ir. Na primeira proposta do mundo árabe, o Nino não se interessou em jogar lá e depois teve a do México, que não se concluiu pelas circunstâncias que eu falei, alheias a nossa vontade. Em seguida, não conseguimos também não conseguimos concluir a operação do Gabriel Teixeira. É fato público notório, publicamos no nosso orçamento, que mais ou menos 40% da nossa receita hoje do clube é a de vinda e de venda de jogadores. Em agosto de 2020, eu dei uma entrevista aqui onde fui bastante criticado, mas não me arrependo de ter dado ela, onde disse: “A solução de momento do Fluminense é ter no mínimo 30% de jogadores da base no elenco profissional, fazer com que esses jogadores performem e entreguem futebol dentro de campo e ao mesmo tempo sejam os ativos que a gente tenha que vender, para não pegar empréstimos e nem que se comprometa financeiramente. Foi graças a essas vendas ao longo desses dois anos que a gente conseguiu pagar uma grande quantidade de dívidas, aumentar o fluxo de caixa, poder investir mais no departamento de futebol e ano a ano ir crescendo e montando um time, que ainda, acreditem vocês, é um time dentro dos padrões do futebol brasileiro, bastante austero, com uma folha mediana. Mesmo assim, estamos entregando performance. Todo o cenário narrado por mim, fez com que a gente abrisse essa negociação ainda em janeiro e que, como repito, foi a única proposta que recebemos por este atleta nos últimos dois anos. Foi uma proposta que, não gosto de fazer comparativos e sei que as pessoas estão discutindo o dia inteiro desde ontem os comparativos em redes sociais. Existem vendas melhores do que essa, existem vendas piores do que essa, mas toda e qualquer venda depende de valor de mercado e da situação e da necessidade de quem está vendendo. Em nenhum momento, a gente disse que o jogador não está indo agora. Vejam que coisa curiosa, se a gente corre o risco nesse momento com todas essas dívidas que temos a pagar em curto prazo, além do custo do clube e da folha salarial, enfim, de todo o funcionamento do clube. Com o cenário que demonstrei para vocês, onde daqui 10 ou 15 dias, temos dívidas pesadas a pagar como falei na Fifa, de ainda de coisas do passado. A licitação do Maracanã se aproxima, o Fluminense precisará fazer um aporte financeira e estamos absolutamente em dia com o Maracanã. Todas essas questões desenharam um cenário onde precisávamos fazer uma venda na janela de final de ano. Não conseguimos fazer essa venda, até porque os senhores podem ver, as últimas duas janelas foram as duas piores dos últimos cinco anos em razão da pandemia. Houve uma redução de 35% nas compras gerais de jogadores brasileiros e essa de final do ano, então, foi desastrosa. Diante de tudo isso, assinamos um pré-acordo, ainda em fevereiro, antes portanto, do início da Libertadores, enfim, onde já prevíamos somente a ida do atleta entre os meses de julho e agosto. Até julho com certeza, agosto ainda a se negociar pela questão da janela de meio de ano. Diante disso, construímos uma operação financeira onde a gente precisa obviamente, ter o clube com sua austeridade, a sua credibilidade e a sua estabilidade em dia. Nenhum de nós fica feliz em no meio do ano, ter saída do atleta que temos um carinho enorme, que é um grande jogador de futebol e tem nos ajudando bastante. Mas, a gente vem demonstrando ao longo da nossa gestão e por isso, peço um voto de confiança na gente, que a gente vem conseguindo repor as saídas e a cada ano, temos dado uma performance melhor dentro de campo”.

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ST


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