#EleiçõesNoST – Entrevistado: Marcelo Souto: “Temos proposta para todas as áreas. Precisamos mudar a mentalidade e a estrutura”

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As eleições no Fluminense estão marcadas para o dia 26/11. Entretanto, os candidatos tem até dia 15 para confirmarem suas candidaturas. Após o pré-candidato Ademar Arrais anunciar oficialmente que não irá concorrer mais ao cargo, apenas Rafael Rolim e Marcelo Souto ainda estão na disputa. Vale ressaltar que, para oficializar a chapa, ambos precisam recolher 200 assinaturas de sócios do clube.

Depois de entrevistarmos Rafael Rolim, chegou a vez de Marcelo Souto. Advogado de 36 anos, tem experiência no setor público e privado, se considera um torcedor que veio da arquibancada desde criança.

“Primeiro lugar gostaria de agradecer o espaço e elogiar a postura democrática de permitir que eu me apresente aos torcedores do Fluminense e expor nosso ponto de vista sobre as mazelas do clube e as nossas soluções que vêm através das nossas propostas e do nosso planejamento para o futuro do clube.

Eu me chamo Marcelo Souto, 36 anos, advogado, com experiência no setor público e no setor privado. Casado e pai da Sophia e do Noah. Sou daqueles que torcem na arquibancada, de acompanhar de perto o nosso clube nas boas (Maracanã, Engenhão, Buenos Aires e São Paulo, etc) e nas más (Rua Bariri, São Januário, Curitiba e etc) desde criança. Sou sócio do nosso clube há uma década. Fundei um grupo chamado Esperança Tricolor junto com outros tricolores na tentativa de oxigenar e melhorar nossa instituição. Fui eleito como conselheiro em 2016, e nessa função elaborei redação para alteração do estatuto do clube, apresentei empresas visando implementar o tão desejado Voto Online.

Ainda como conselheiro entreguei pedido pela suspensão das unidades deficitárias. Sou aquele que mesmo sem mandato ao longo dos últimos três anos, e não apenas no período eleitoral, entregou correspondências com pedidos de explicações e sugestões de melhoraria, como nosso programa de compliance a atual diretoria. Um tricolor que reconhece e vibra nos acertos, e que lamenta e aponta os erros de forma propositiva.

Ao meu lado caminha o Sergio Poggi, meu amigo, companheiro, um leão dentro do conselho deliberativo há quase uma década e um dos autores do projeto Laranjeiras XXI. Sérgio é o vice da nossa chapa. Nossa chapa se chama Herdeiros de Oscar Cox, e redigimos nosso planejamento estratégico sob o mantra de transformar o presente para construirmos juntos um futuro melhor, aos olhos de grandes executivos que ao longo da campanha estamos apresentando.”

Marcelo Souto se lança como pré-candidato à eleição no Fluminense — Foto: Divulgação
Marcelo Souto pré-candidato à eleição no Fluminense — Foto: Divulgação

Perguntado sobre como conseguirá conseguir as 200 assinaturas para oficializar sua chapa e de fato, concorrer à presidência, Souto afirma que tem os pés no chão e aposta na transparência com o torcedor.

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“Falando a verdade ao associado e ao torcedor: Conosco o jogo é limpo e transparente. A torcida tricolor tem um nível elevado de inteligência e exigência para identificar quem come sardinha e arrota caviar! Estamos fazendo uma campanha hibrida com o associado e com torcedor. Hibrida no sentido do mundo digital e do olho no olho (presencial). Mostramos que existe uma candidatura aqui legitima, que não é personalista, que não tem super-herói, que conta com uma equipe executiva forte, de mercado e com um tesão pra fazer novamente o torcedor feliz.

Mostramos ao longo dos últimos 50 dias de campanha nosso planejamento, nossas propostas e o nosso time. Quem acompanha a nossa chapa, sabe que aqui não vendemos dificuldades, aqui não vendemos sonhos, não temos sócios ocultos, aqui mostramos que é possível uma mudança radical, de mentalidade, de estrutura, com foco na inovação e tecnologia, de termos alicerces para construir um futebol forte, de sermos novamente temidos e vitoriosos! Aqui preservaremos, cuidaremos e iremos transformar o berço do futebol brasileiro, a nossa casa, Laranjeiras.”

Na última eleição (2019). Marcelo também fez uma pré-candidatura para a presidência junto ao grupo política ‘Esperança Tricolor’ mas não conseguiu oficializar a sua campanha por 78 assinaturas (Mário e Tenório que foram para a disputa nas urnas). Na campanha de 2016, apoiou Cacá Cardoso. Manteve a posição quando este se aliou a Pedro Abad. Com a decisão, passou a integrar a coalizão Fluminense Unido e Forte, mas a deixou a gestão por não concordar com os rumos do clube. Perguntado sobre os erros e acertos da atual gestão, Souto comentou:

“Não sou forjado no meio de nenhum tipo de política, de clube ou governamental, e sequer tenho marqueteiro. Eu poderia chegar aqui, e fazer o caminho mais fácil e confortável que seria só criticar veementemente a atual gestão, uma vez que é isso o que o público que não vota no Presidente Mário Bittencourt espera. Pregar o caos, tal qual um cavaleiro do apocalipse. Mas comigo as coisas são as claras, e preservo a instituição que amamos. Tivemos avanços em certos pontos e seguimos estagnados em outros.

Muito negativo existe a questão das vendas precoces e abaixo do valor de mercado.  A politica de contratações focada, boa parte, em jogadores de final de carreira. Tais pontos pretendemos melhorar através do CIA do Flu, o nosso Centro de Inteligência e Aperfeiçoamento do Departamento de Futebol do Fluminense, com investimento em tecnologia, acreditando na ciência de dados/esporte, e na figura do analista de mercado e data scientist.

O mau trato com seus torcedores, principalmente os de fora da região metropolitana, que na nossa gestão ganhará uma Vice Presidência do Fluminense sem Fronteiras, reconhecendo embaixadas e consulados, focando em ações nas necessidades como match-day e o software do voto online.”

“Infelizmente houve uma centralização no presidente, com ele atuando em todas as áreas do clube. Tal situação repete-se ano a ano, presidente a presidente. E que iremos transformar pelo modelo hibrido (executivos e amadores). E ele foi mais um presidente que deixou o maior patrimonio fisico, a nossa casa, Laranjeiras de lado. A nossa chapa tem compromisso com o Projeto Laranjeiras XXI, e Sérgio Poggi é referência e será o responsável / condutor da revitalização.

Agora existem pontos que o clube andou. Como captar um aumento de sócios, conduziu bem a aposentadoria do Fred, conseguiu entrar na RCE (embora alguns do lado da oposição tenham torcido contra), acertou com a Umbro que produz camisas lindas ao torcedor. E do nosso ponto de vista ficou do lado certo na questão da LIBRA, que é a nova liga do futebol brasileiro, unindo-se ao grupo Forte Futebol.

Enxergo o copo literalmente pela metade, podemos melhorar, e principalmente com mais velocidade. Estamos aqui pra isso. Precisamos melhorar em muitas áreas renegadas, dar um choque de gestão, e criar um novo ciclo virtuoso. De maneira propositiva, sem semear o caos, mas sendo claro e transparente com o torcedor e com o sócio do nosso clube.”

Nos últimos anos, o clube vem passando por um processo de reconstrução e voltando para a prateleira de cima do futebol brasileiro, sempre disputando, por exemplo, a Libertadores e terminando entre os cinco primeiros colocados no Brasileirão. Entretanto, a venda de jogadores por um preço considerado abaixo do que se pode conseguir, ainda segue como um calcanhar de Aquiles no tricolor e muito cobrada pelo torcedor. Como fazer mudar esse cenário, uma vez que o Flu é um time que precisa de dinheiro para colocar suas contas em dias e as equipes com mais dinheiro e poderio financeiro, sabem aproveitar isso.

“Ainda adolescente cresci na pior crise do nosso clube, o final dos anos 90. Portanto eu aprendi a amar o Fluminense pelos feitos do nosso passado gigantesco, foi isso que manteve acessa a chama. Minha régua é maior do que comparar uma gestão péssima como as anteriores. E nesse caso exemplificado na pergunta, a primeira prateleira ao qual você se refere (times que disputam a Libertadores) não é referencia pra mim. Primeira prateleira são os clubes que chegam as finais e os que conquistam títulos, e que nos últimos anos são 4 clubes. Essa é a primeira prateleira que nunca deveríamos ter saído dela, está no nosso hino, não se esqueçam “Sou do clube tantas vezes campeão!”. Os outros 5-6 clubes, como o Fluminense-momentaneamente, estão em prateleira abaixo, são os que participam.

A venda precoce de jogadores talentosos ocorre pela falta de capacidade de gerar novas receitas e reduzir custos. Falta planejamento para criarmos um ciclo virtuoso. Falta sair da politica de contratar diversos jogadores veteranos que pouco entregam, pouca eficácia e custo alto. Falta criar nosso banco de dados, e métricas próprias para ajudar na perfomance e nas avaliações. Falta a figura do analista de mercado para precificar melhor e identificar mercados. Falta zelar/valorizar a nossa marca e o nosso produto. Falta elevar o patamar mercadológico de Xerém para a melhor divisão de base das Américas.”

O setor dos Esportes Olímpicos é alvo de muitas críticas por ser uma área que gera prejuízo ao clube. Há um plano para que passem a ser autossustentáveis? A possibilidade de captar por projetos incentivados está no radar?

“Ao longo dos últimos anos eu chamei atenção para atividades deficitárias. Eu lutei pela suspensão para acabar com essa sangria. Nenhum outro candidato nos últimos anos elevou tanto o tom quanto eu. Só para o torcedor entender melhor, nos últimos 6 anos o prejuízo total ultrapassa 60 milhões de reais. É muito dinheiro. A possibilidade de captar projetos incentivados passa pela vitória do clube na obtenção das CNDs divulgado há algumas semanas. Dentro do nosso time de executivos existe um profissional acordado conosco que há alguns anos está no COB e que possui know how referente à captação de verbas incentivadas. Ele será peça fundamental junto com os demais executivos que compõem nosso time para conseguir incentivos, patrocínios e a auto-sustentabilidade.

Quero deixar claro que em hipótese alguma, em nossa gestão haverá dinheiro saindo do futebol para sustentar outras atividades. Conosco isso não ocorrerá, e ficará claro na divulgação dos nossos balanços e balancetes, que serão detalhados por unidades de negócio, isto é, cada atividade esportiva, cada modalidade terá linhas específicas de custo e receita. Vamos dar as condições para reverter em curto espaço de tempo, e caso a operação não fique de pé, infelizmente, será suspensa a(s) atividade(s).”

O Departamento de Futebol Feminino do Fluminense vai para a sua quinta temporada desde a retomada da modalidade no clube. Após este primeiro ciclo, quais novos passos podem ser dados para fortalecer mais a modalidade?

“O futebol feminino vem ganhando destaque no Brasil e no mundo nos últimos anos. Precisamos driblar a falta de oportunidades e o preconceito  objetivando profissionalizar e dar sustentabilidade orgânica a essa atividade. Existe ainda os desafio pela falta de investimentos, patrocínio e visibilidade/consumo do produto por parte dos stakeholders. Vamos buscar melhorar o produto, dar mais visibilidade a modalidade através de ações de marketing. Iremos estruturar uma Divisão de Base para o futebol feminino, com corpo técnico específico e programa de seleção de novos talentos, assegurando as condições necessárias para o desenvolvimento das atividades. Além da construção do alojamento para a equipe de futebol feminino no Centro de Treinamento Vale das Laranjeiras.No nosso planejamento estratégico prevemos a captação de recursos via investidores, parceiros e/ou de linhas de crédito do Ministério dos Esportes, da Educação e do BNDES, além da busca por parcerias/convênios com universidades para suporte profissional.”

Por último, mas não menos importante, perguntando se houve um plano para fazer uma chapa única com outros candidatos, Souto finalizou:

“O plano é fazer oposição às práticas e aos que fazem mal ao nosso clube. Não podemos errar novamente e criar uma nova torre de Babel, uma nova colcha de retalhos para atender interesses pessoais e de seres ocultos que vivem nas sombras semeando o caos. Isso deu errado no passado, e é certeza de dar errado novamente. Seguimos nossa caminhada na busca de levar alternativas viáveis aos associados e aos torcedores.

Nossa chapa tem nome (Herdeiros de Oscar Cox), tem presidente (Marcelo Souto), vice presidente (Sérgio Poggi), tem lema (“transformar o presente e construir um futuro ainda melhor”), tem propostas (CIA do Flu, Flu Sem Fronteiras, Flu Academy, Sports Tech, Flu eSports, entre outros), tem executivos como Sérgio Quiroga, Kaio Noronha, Paulo Faveret, Martha Tebyriça e outros.

Vamos em frente, na certeza de ver novamente o Fluminense tantas vezes campeão.”

“Espera que o amanhã já vem”.

As eleições no Fluminense serão realizadas no dia 26 de novembro. Para registrar a sua chapa, cada pré-candidato precisará recolher 200 assinaturas de sócios do clube – sem contar a modalidade sócio-futebol.

ST


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