Análise Tática: Mais equilibrado na defesa, Fluminense vive melhor sequência no Brasileiro

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Com a vitória por 1 a 0 sobre o Bahia, o Fluminense chegou a sua melhor sequência no Campeonato Brasileiro. O Tricolor venceu quatro das últimas cinco rodadas. Além disso, quebrou um jejum de quase cinco anos sem vencer três partidas consecutivas pelo Brasileirão.

Um dos pontos que mais tem chamado a atenção nesta sequência do Fluminense é o sistema defensivo. Criticada no início do trabalho de Marcão, a defesa não sofre gols há três partidas.

É justo afirma que Bahia, Goiás e Botafogo estão entre os piores ataques do Campeonato. Os baianos tem o pior com apenas 26 gols marcados (o Flu, por exemplo, marcou quase o dobro, 49). Enquanto o Botafogo aparece em segundo e o Goiás em quarto. Contudo, algumas mudanças na organização do sistema defensivo ajudam a explicar a sequência do Fluminense.

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A primeira é a postura dos laterais. Desde que Marcão reassumiu o Flu, os laterais vinham atuando mais ofensivamente para dar amplitude quando os pontas fechavam na diagonal. Todavia, o Flu vinha sofrendo muitos gols em bolas nas costas. Assim aconteceu no empate contra o Coritiba e, principalmente, na goleada história para o Corinthians.

Porém, nos últimos jogos, tanto Calegari quanto Egídio têm segurado mais a posição. Como, por exemplo, mostra o mapa de calor dos jogadores contra o Bahia.

Os dois jogadores, aliás, são os que mais desarmam no Flu. De acordo com o site SofaScore, Egídio tem média de 2,5 por partida. Enquanto Calegari tem média de 2,1.

Por outro lado, os laterais tem subido somente em momentos oportunos. Sendo assim, a amplitude tem sido feito pelos pontas Lucca ou Luiz Henrique, por Nenê quando cai pelos lados ou pelos volantes lateralizados.

Volantes lateralizados

“O Marcão nos últimos dois jogos mudou o posicionamento do meio de campo. Os dois volantes estão jogando lateralizados agora com um meia na frente, no caso o Nenê. Antes era um tripé invertido e isso era muito claro. E quando se joga com os volantes lateralizados assim, é bem natural e diria que essencial que tenha essa chegada na frente de um deles para auxiliar o ataque. Mas, claro que sempre de uma maneira organizada e bem posicionada”, explicou Hudson em entrevista ao “ge”.

O posicionamento dos volantes, descrito pelo experiente Hudson, tem feito a diferença também na defesa. Martinelli tem dobrado a marcação com Calegari na direita. Enquanto Yago Felipe auxilia Egídio pelo lado esquerdo.

Martinelli tem sido um dos destaques na sequência do Fluminense
Versátil, Martinelli tem sido um dos destaques do Fluminense nesta sequência (Foto: Mailson Santana/Fluminense Football Club)

Com a marcação encaixada pelos flancos, além de Nino e Luccas Claro bem postados, o Fluminense obrigou o Bahia a arriscar de fora da área. Oito das 12 finalizações do Tricolor de Aço vieram desta forma.

Finalização do Bahia contra o Fluminense
Em um dos lances mais perigosos do Bahia no primeiro tempo, é possível que a marcação do Flu está compactada com seis jogadores no entorno das três opções de passe. Restando ao colombiano Índio Ramírez arriscar uma finalização de fora da área (Framme: Reprodução/ge)

Mas, o Tricolor de Aço acabou esbarrando em uma grande noite de Marcos Felipe. O arqueiro salvou o Flu em seis oportunidades, quatro em chutes de fora da área e duas cabeçadas. Terminando como um dos principais destaques em campo.

Mais movimentação no ataque

Enquanto a defesa tem se destacado por estar bem postada, o ataque vem chamando a atenção pela movimentação. Diante do Bahia, o quarteto formado por Luiz Henrique, Nenê, Fred e Lucca trocaram constantemente de posição.

Embora não balance as redes desde a partida contra o Athletico, pela 24ª rodada, Nenê tem sido bastante participativo nos jogos. Desde que retornou ao time titular o artilheiro do Flu na temporada vem caindo pelos flancos para confundir a marcação.

Chance perigosa do Fluminense contra o Bahia
Logo no início do jogo, o camisa 77 levantou para Luiz Henrique, que entrava na diagonal. Atacante, entretanto, chutou na rede pelo lado de fora. A jogada se repetiu e, dessa vez, Luiz Henrique marcou o gol que garantiu a vitória do Fluminense (Framme: Reprodução/ge)

Além de Nenê, vale destacar o posicionamento de Luiz Henrique e Lucca. O jovem atacante, de apenas 19 anos, é o principal responsável por acelerar o jogo pela pontas. Mas também tem pisado frequentemente na área.

Diante do Bahia, Luiz Henrique chegou ao seu segundo gol na temporada. Jogador contou com um corta-luz de Fred no momento do gol (Foto: Mailson Santana/Fluminense Football Club)

Enquanto Lucca fica próximo a área, como um segundo atacante, sobretudo para pegar os rebotes e os cruzamentos para trás. Desta forma, o camisa 7 marcou diante do Botafogo pela 31ª rodada.

Por fim, Fred também merece destaque. O veterano vinha crescendo de produção desde a derrota por 2 a 1 para o São Paulo e ontem recebeu o prêmio de melhor em campo dado pela transmissão da Rede Globo. Contra o Tricolor de Aço, por exemplo, o capitão venceu cinco de oito duelos pelo chão, contribuiu com três passes chave e por pouco não marcou um gol em cabeçada após mais um cruzamento de Nenê.

Próximo jogo na sequência do Fluminense

O próximo compromisso do Tricolor é na próxima quarta-feira (10) diante do Atlético-MG, no Maracanã. Após a boa sequência, o Fluminense se mantém na quinta colocação e a apenas dois do São Paulo, que abre o G4. Pela frente o Tricolor terá um Galo com dificuldades de somar pontos fora de casa, mas, este é um assunto para a próxima Análise Tática.

ST

Lucas Meireles


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Lucas Meireles

Jornalista formado pela UFRRJ, apaixonado por esportes e pelas boas histórias.

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