Savarino é o estrangeiro nº 40 do século e consolida a presença venezuelana no Fluminense
A contratação de Jefferson Savarino não entra apenas na conta de reforços da temporada. Ela fecha um ciclo histórico no Fluminense e reforça uma mudança clara no perfil do elenco nos últimos anos.
Com a chegada do meia-atacante venezuelano, o Tricolor atinge a marca de 40 jogadores estrangeiros utilizados no século XXI. Savarino também se torna o segundo venezuelano a atuar pelo clube neste período e o terceiro em toda a história, um número que ajuda a dimensionar a evolução da presença internacional nas Laranjeiras.
De Maldonado a Savarino: três venezuelanos, três contextos
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A relação do Fluminense com o futebol venezuelano começou em 1992, com Carlos Maldonado. Naturalizado venezuelano, o meia chegou após se destacar pela seleção na Copa América de 1989, disputada no Brasil. Foi uma contratação rara para a época.
Maldonado teve passagem curta. Disputou 15 partidas, marcou dois gols e fez parte do elenco vice-campeão da Copa do Brasil de 1992. Mesmo sem grande impacto esportivo, entrou para a história como o primeiro venezuelano do clube.
O segundo só apareceria 33 anos depois.
Em 2025, o Fluminense contratou Yeferson Soteldo já com status de nome forte para o setor ofensivo. A indicação partiu de Renato Gaúcho, que havia trabalhado com o venezuelano no Grêmio e via nele uma peça importante para um elenco que se preparava para disputar a Copa do Mundo de Clubes. O problema é que Soteldo chegou ao clube já lesionado. Fora de condição física ideal, sequer teve condições de atuar na fase inicial do torneio internacional. Quando voltou a ser relacionado, ainda sem ritmo, foi utilizado muitas vezes como reserva e teve atuações irregulares, o que gerou desconfiança da torcida. Ao longo do segundo semestre, conseguiu fazer algumas boas partidas e melhorar a percepção sobre seu nome, mas terminou o ano longe de se firmar como protagonista, com desempenho abaixo do esperado na maior parte dos jogos.
Agora, em 2026, Jefferson Savarino completa essa linha histórica com outro patamar de peso.
Um venezuelano em nível de elite
Savarino chega ao Fluminense no auge da carreira, com títulos recentes e números expressivos. Em 2024, pelo Botafogo, foi campeão da Libertadores e do Brasileirão, somando 12 gols e 13 assistências na temporada.
No futebol brasileiro, construiu currículo sólido. Foi campeão brasileiro e da Copa do Brasil pelo Atlético-MG em 2021 e voltou a levantar os principais troféus nacionais e continentais três anos depois, já no rival carioca.
É, disparado, o venezuelano mais vitorioso a vestir a camisa do Fluminense.
O estrangeiro nº 40 e a nova cara do elenco
O número alcançado com Savarino reflete uma transformação estrutural no clube. Desde o início dos anos 2000, o Fluminense passou por diferentes fases de internacionalização, mas nenhuma tão intensa quanto a atual.
A partir de 2020, o clube ampliou de forma consistente o uso do mercado sul-americano. Com a mudança no limite de estrangeiros no futebol brasileiro, a presença de jogadores de fora deixou de ser exceção e virou parte do planejamento esportivo.
Mais de um terço dos estrangeiros do século chegaram entre 2023 e 2026. Savarino é o nome simbólico dessa fase.
Negociação direta com o Botafogo
A contratação ganhou peso extra por envolver uma negociação direta entre rivais. O Fluminense aproveitou a abertura do Botafogo para avançar na negociação, em um contexto que ia além de simples ajuste de elenco. Internamente, o clube alvinegro já avaliava que a saída de Savarino seria uma decisão impopular junto à torcida, mas considerada necessária.
O venezuelano tinha um dos cinco maiores salários do grupo, e o Botafogo buscava reduzir a folha e, ao mesmo tempo, fazer caixa. O cenário se agravou com o transfer ban imposto pela Fifa, que impede o clube de registrar reforços por conta da dívida com o Atlanta United, referente à contratação de Thiago Almada em 2024.
Como parte do acordo, o Fluminense cedeu em definitivo o volante Wallace Davi, de 18 anos, mantendo um percentual de uma futura venda. O pacote financeiro pode chegar a R$ 19 milhões, condicionado a metas, e Savarino assinou contrato até dezembro de 2029.
Reposição para Arias?
A chegada do venezuelano também atende a uma necessidade técnica clara. O Fluminense perdeu Jhon Arias, vendido ao Wolverhampton por 17 milhões de euros, e precisava de um jogador capaz de assumir protagonismo ofensivo.
Savarino oferece números semelhantes em gols e assistências, com características diferentes. No sistema de Luis Zubeldía, pode atuar pelos dois lados ou por dentro, sem comprometer a estrutura da equipe.
Um símbolo de um Fluminense mais internacional
Savarino fecha uma marca estatística, mas também representa um momento do clube. O Fluminense de 2026 é mais internacional, mais experiente e mais preparado para competir em alto nível, inclusive pensando no bicampeonato da Libertadores.
O venezuelano chega como uma das peças centrais de um projeto esportivo que aposta em elenco forte, rodável e acostumado a decisões grandes.
E, dessa vez, a Venezuela não aparece como exceção na história tricolor. Aparece como parte dela.
