Nó tático, invertida e a consequente goleada – O que vi do Jogo – Washington de Assis

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Para o tricolor que só conseguiu ouvir os primeiros minutos do jogo, o resultado no Raulino de Oliveira ontem o pegou de surpresa. Como assim, um time que começa de forma fulminante, com 7 finalizações perigosas em 20-25 minutos, termina o jogo sofrendo uma goleada, após largar na frente com um gol logo no primeiro minuto? A resposta é simples: tática, meus amigos, e percepção do jogo. Um treinador teve. O outro não.

Paulo Autuori e António Oliveira (assim mesmo, com acento agudo), enxergaram a deficiência do Athlético e a possibilidade de encurralar o Fluminense e assim o fizeram. Quando perceberam que Cazares apoiava muito – e era um dos melhores do Flu até então – tiveram a leitura que levou o seu time à virada: espetaram o ‘encapetado’ Carlos Eduardo por ali e começaram a infernizar a vida de Calegari – o número 96 deles começou pela direita do ataque. Com um jogador espetado ali, as bolas do Athlético começaram a ficar mais tempo no ataque e a levar perigo à defesa tricolor. Cazares não recompunha, a ponto de fazer o balanço defensivo – como o Biel fazia pelo nosso lado esquerdo – e o espaço foi sendo conquistado pelos atleticanos.

Após “espetar” Carlos Eduardo pela ponta, e manter a bola em seu campo de ataque, Autuori ainda adiantou Richard (aquele mesmo) que ocupava os espaços da segunda bola e dificultava, mais ainda, a nossa saída. Léo Citadini mais pela direita e o bom Davi Terans colando com o Carlos Eduardo, que ainda recebia o apoio do lateral Abner pela canhota do ataque deles, foi o fator determinante para o restante da história. O resultado disso tudo ai? Fluminense perdido em campo e os visitantes donos do jogo.

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Contudo, se por um lado Autuori “sacou” o time do Fluminense e arrumou o seu para enfrentá-lo, do lado de cá Roger permaneceu inerte às ações do adversário e assistiu ao gol de empate. Depois, a mais uma triangulação que quase resultou em mais um gol – sorte que Terans mandou a bola por cima do gol – ele cabeceou sozinho, na altura da marca do pênalti. Na sequência, o gol da virada anulado (e bem anulado) pelo VAR. Roger, mais uma vez inerte.

O treinador tricolor conseguiu produzir seus melhores 20 minutos iniciais no comando do time, marcando gol e criando chances para mais tentos. Mas foi incapaz de conter os avanços do adversário. Assistiu de camarote Autuori trazer um gás novo para sua canhota – Vitinho entrou no lugar de Carlos Eduardo e anotou o gol da virada – e nosso treinador mexeu para perder de vez o time. Colocou Ganso no lugar de Yago, Matheus Martins (que entrou muito bem, tentando as jogadas com personalidade), no lugar de Nenê e João Neto no lugar do apagadíssimo Biel (gosto muito dele, mas ontem saiu do jogo aos 20 minutos e se arrastou até a hora de sua saída). Desastre que culminou no 4 x 1.

Na minha humilde opinião, Roger estava ganhando por 1 x 0, quando Autuori começou a mexer no time. E não teve vergonha em trocar quem fosse, a hora que fosse. Mas mexeu no posicionamento de Carlos Eduardo, o que foi fatal para o Flu. Naquele momentoo treinador tricolor poderia ter sacado, de uma vez só, o Nene e o Biel, No lugar do primeiro, entraria o André para equilibrar a marcação na nossa direita com Calegari e ajudando o Martineli. No lugar do segundo, Matheus Martins espetando ele nas costas do Abner, trazendo mais preocupações defensivas ao lado esquerdo do Athlético. Pronto, equilibrava as ações e o Flu voltaria ao jogo. Ali mesmo, aos 30 do primeiro tempo. Ainda se quisesse, poderia ter colocado o Ganso depois, mas no lugar do Cazares.

Tem que entender que as alterações podem ser feitas desde o minuto 01 de jogo. Não precisa esperar os 15 minutos do segundo tempo. Não há exigências na regra para tanto.

Hoje temos 5 alterações para fazer e não podemos nos dar ao luxo, nessa sequência de jogos que sempre sonhamos, de não rodar a equipe. Sobretudo para arrumar um meio que estava à beira do colapso. Não o fez? Colapsou e o Flu tomou uma chinelada de arder a alma de todo tricolor.

Roger já pecou algumas vezes nas suas alterações – escolhas e tempo de mudanças. Mas também conseguiu produzir alguns bons momentos e jogos. Não dá mais para errar assim. Doa a quem doer, tem que tirar aquele que está “performando” menos. Foi assim com Lucca, com Luiz Henrique (fora da última relação) e tem que ser assim com quem quer que seja.

Não. Não considero terra arrasada, pois de fato não é. Sim, me preocupa muito a chegada dos jogos mais decisivos e a queda vertiginosa de produção da equipe.

Antes, não havia desempenho mas se obtinha o resultado. Agora, não temos nem um nem outro.

Que João de Deus ilumine os próximos passos de todos!

ST

 

 


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3 thoughts on “Nó tático, invertida e a consequente goleada – O que vi do Jogo – Washington de Assis

  • 01/07/2021 em 22:42
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    O Roger é um técnico muito fraco! Fato! Abaixo do Odair e até do Marcão. Acreditem!
    Não sei onde a diretoria do Fluminense enxergou resultados nos trabalhos anteriores do Roger que o credenciasse a ser técnico de futebol do clube, inclusive no Bahia foi só fracasso (saiu do clube com o time lá embaixo na tabela).

    Nosso time não é ruim. Está na média dos times brasileiros. Agora achar que Roger trará resultados satisfatórios é igual a dizer que Papai Noel existe.

    Não está dando para assistir o Fluminense do Roger jogar. É sofrível.

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  • 01/07/2021 em 23:21
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    A análise é perfeita e aparentemente resolveria o problema do Fluminense de desestrutura do time no gramado. Mas “parafraseando” o ex-jogador Garrincha
    da seleção brasileira da época pergunto: Será que o Athlético iria deixar o Fluminene fazer esta jogada sempre, quando este esquema tático mudasse? Para quem não sabe desta estória(não é história), vou fazer um resumo: o técnico da época mandava que os “pontas” cruzassem sempre para Garricha fazer os gols que o time precisava para ganhar as partidas. Então, Garrincha pergunta ao técnico brasileiro que dava estas instruções: Você já acertou isto com os latarais do time adversário para saber se eles vão deixar nossos “pontas” crazarem na área?

    Resposta
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