Meu nome favorito para ser o técnico do Fluminense – Opinião de João Gurgel

Compartilhe

O Fluminense ainda não conseguiu se achar após a saída de Odair Hellmann. A pífia derrota na noite de ontem para o Atlético-GO só mostra um problema apresentado nesses dois jogos: A ausência de um treinador!

Odair, como sempre falei em lives e textos opinativos, tirava água de pedra com esse time do Fluminense. Tinha seus erros? Claro! Ninguém é perfeito. Mas conseguia extrair muitas coisas boas do time. Jogos ruins, eliminações e oscilação fazem parte de um trabalho pensado á longo prazo. Mesmo assim, o “Papito” conseguiu driblar tudo isso e levar o Fluminense para as primeiras colocações do Campeonato Brasileiro, em campanha que surpreendia à todos e que poderia colocar o clube de volta na Copa Libertadores.

Você conhece nosso canal no YoutubeClique e se inscreva! Siga também no Instagram

Essa ideia mais que absurda de trocar de treinador como troca-se de sapato, interromper um trabalho de mais de 10,11 meses é algo extreamente retrógrado e ridículo no futebol atual. Os clubes que fazem isso, nós vemos no fim do Campeonato para onde vão…é ladeira abaixo. Treinador não é mágico! Não faz milagre! Vemos o exemplo aí de Botafogo, Coritiba, Vasco, Goiás, entre tantos outros. E vemos também, trabalhos, mesmo com eliminações em várias competições (Camp. Paulista para o Mirassol, fase de grupos da Libertadores e nas oitavas da Sula) o São Paulo, que apostou no trabalho à longo prazo de Fernando Diniz, mesmo com oscilações e muita pressão negativa da torcida, e olha onde ele está no momento! Semis da Copa do Brasil e líder isolado do Brasileiro. Infelizmente, Odair não ficou! E aos que pediram #ForaOdair, hoje se irritam ferozmente com Marcão. Ainda me lembro de, em muitas lives, torcedores pedindo enlouquecidamente a volta do ex-volante para treinar o Flu.

Marcão, mesmo já com 4 passagens pelo comando técnico efetivo do Flu. Agradeço muito por ter ajudado o Flu em 2019 a se livrar do rebaixamento! Mesmo em 2020 comandando o time de aspirantes, ainda falta muito, ao meu ver, para liderar o Fluminense em uma briga por vaga na Libertadores. O cenário é totalmente diferente do ano passado. Um time não pode ficar 90 minutos sem dar UM chute na direção do gol. Sentar em um resultado de 1×0 contra o Vasco foi uma verdadeira tolice! Entre tantos outros erros que eu observo: Mexidas equivocadas, falta de leitura de jogo, falta de agressividade e ousadia e, principalmente, objetividade com a bola nos pés. Ninguém aguenta mais toque de bola para o lado e para trás!

Para não dizer que o Marcão só errou: Promover Marcos Felipe de titular e manter ele entre os 11 inciais está sendo excelente!

Foto: Mailson Santana/FFC

Marcão, como jogador, foi um dos caras que eu mais vi jogar com o manto tricolor e considero um ídolo do clube. Gritei muito no Maraca o seu nome! Gosto muito dele por tudo o que fez pelo Flu. Mas não dá para deixá-lo no comando técnico até o fim da temporada! Em dois jogos, contra o Cruz-Maltino e o Atlético-GO, com certeza, foi uma das piores partidas, senão a pior, sequência do Fluminense no ano. Eu digo em jeito de jogar futebol em jogos seguidos.

Após contextualizar todo o cenário do Fluminense, agora, vim falar sobre quem eu traria para ser o treinador do Fluminense na temporada: Thiago Larghi! Mas calma! Antes de explicar os motivos pelo qual eu gostaria de que ele fosse o escolhido (por mais que eu tenha pouquíssimas esperanças de que isso vai fazer), vou mostrar quem é Thiago Larghi!

Carreira

Hoje com 40 anos, o carioca Thiago Larghi, é natural de Paraíba do Sul. Ele jogou no futebol amador e em categorias de base em alguns clubes, mas quando percebeu que não teria uma carreira de sucesso como jogador resolveu estudar para ser treinador. Fez o curso de treinador e formou-se em educação física. Durante o curso, ele conheceu um observador técnico da CBF, que o convidou para trabalhar como seu auxiliar na seleção brasileira.

Em janeiro de 2013, foi convidado para ser observador técnico e analista de desempenho da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014. Ele ajudava a montar relatórios e vídeos para a comissão técnica comandada por Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari.

Após o Mundial, Larghi foi tirar a licença de treinador de futebol da UEFA na Itália e passou dias acompanhando os treinos do Bayern de Munique durante uma data FIFA.

Na volta, ele foi convidado para integrar a comissão técnica de Oswaldo de Oliveira e virou seu auxiliar no Sport, Corinthians e Atlético-MG.

Primeiro trabalho de treinador – Atlético Mineiro

Após a demissão de Oliveira, no início de fevereiro de 2018, a equipe mineira o convidou para ser interino enquanto procurava outro treinador. Larghi esperava virar técnico alguns anos depois, mas precisou antecipar os planos. Comandou o primeiro treino à frente do Galo no dia 9 de fevereiro. Larghi treinou o Galo em 49 partidas, deixou o time na vice-liderança (chegou a liderar também) antes da parada para a Copa do Mundo, mas caiu o rendimento após a pausa. Em entrevista recente para a ESPN, ele afirmou que o desempenho da equipe começou a cair depois da lesão de Blanco e as saídas de Bremer e Róger Guedes, até então artilheiro do Brasileiro.

Foto: Gazeta Press

Ele foi demitido depois de oito meses (49 jogos) de trabalho: 23 vitórias, 12 empates e 14 derrotas (55% de aproveitamento). O Atlético-MG estava na sexta posição do Brasileiro. Com ele, o time marcou 74 gols e sofreu 46. A primeira partida foi a derrota para a Caldense, no sábado de Carnaval, pelo Campeonato Mineiro, por 2 a 1.

Depois de sair do time mineiro, Larghi passou em 2018 no Barcelona e na Fiorentina, novamente para estudos e aprimorar suas qualificações como treinador de futebol. No ano seguinte, fez um outro estágio de 15 dias no Braga, que era comandado até então por Abel Ferreira, atualmente técnico do Palmeiras. O brasileiro voltou a assumiu uma equipe em agosto de 2020, quando foi treinador do Goiás.

Goiás em 2020 – Demitido por cobrar profissionalismo dos atletas

Contratado para o lugar de Ney Franco em agosto, Larghi comandou o Goiás em apenas seis partidas e teve um aproveitamento de 28%, com três derrotas, dois empates e uma vitória. Foram 38 dias de trabalho, com três derrotas iniciais e depois dois empates (contra Coritiba e Ceará) e uma vitória (contra o então líder da Série A Internacional). Ele recebia cerca de R$ 250 mil mensais.

Foto: Rosiron Rodrigues

Entretanto, na época em que foi demitido do clube goiano, circularam alguns prints pela internet de pessoas ligadas à diretoria do Goiás de que ele cobrava pontualidade no horário, relatório de desempenho e uma profissionalização do futebol, o que não foi visto com bons olhos pelos mandatários do clube. Ainda se referiram que ele “tirava as pessoas da zona de conforto” por isso que não teve continuidade no trabalho. Para piorar a situação do técnico, ele contraiu a Covid-19 justamente no período em que teria mais tempo para trabalhar o time em treinamentos – foram duas semanas de intervalo entre os jogos contra Inter e Ceará).

Não é mágica. Varinha não é solução. Não é o Thiago que vai fazer o Goiás retomar as suas vitórias. Ele precisa de tempo, todo mundo precisa de tempo para desenvolver seu trabalho“, disse Tite.

Opinião do autor

Larghi é um cara jovem ainda buscando seu espaço dentro do conturbado e polêmico mercado de técnicos brasileiro. Como todo treinador, precisa de tempo para executar sua metodologia e colocar suas ideias em prática. Precisa, principalmente, de segurança de uma diretoria que lhe dê tempo para trabalhar! Pressão em clube grande sempre terá, de fato. Entretanto, ao meu ver, no Fluminense, ele poderia ter essa “segurança” para executar seus métodos. Já deu para ver que, ao contrário de muitos treinadores, Larghi é um cara extremamente estudioso dentro do futebol (fez estágios e cursos nos principais time do mundo) e que está sempre disposto a aprender para conseguir extrair o melhor de sua equipe. Em 2018, era considerado, ao lado de Mauricio Barbieri, hoje técnico do Red Bull Bragantino, do próprio Odair Hellmann e de Fernando Diniz como um dos promissores da nova classe de técnicos brasileiros.

Em uma entrevista recente ao Footure, (muito boa, inclusive), Thiago se mostrou pronto para assumir um novo trabalho, falou um pouco sobre suas referências como técnico, conceitos tátivos e como enxerga o futebol moderno entre outros assuntos. Recomendo à todos que queiram conhecer um pouco mais sobre o treinador.

Em relação ao perfil do treinador que a diretoria do Flu busca (hoje não acho que busque pois confia no Marcão cegamente) é um cara que tenha algum tipo de identificação com o clube, que saiba trabalhar muito bem com a base, com um elenco não muito limitado e com contratações pouco badaladas, além de ser um técnico com baixo custo. Ao meu ver, apenas a questão da identificação (como ele é carioca, não sei se possui alguma identificação com o Flu) seria um empecilho.

Antes dos outros me falarem que vou me contradizer, dizendo que como cobro tempo para o técnico e não estou dando esse tempo ao Marcão, já aviso logo: A questão envolvendo Marcão é muito diferente. Ele nunca teve uma experiência como técnico em time grande. Se não estou enganado, ele chegou a ter uma experiência como coordenador técnico do Bangu, em 2018, mas nem chegou a comandar o time. As passagens dele como treinador foram no Fluminense, sempre pegando a peteca após alguém ser mandado embora. Ele pode vir a ser um bom treinador no futuro, mas ainda precisa se aprimorar muito como profissional da área e se quiser vir a levar o Flu à voos mais altos. Realmente, como o futebol é uma ciência não exata, o tricolor pode agora vir a fazer ótimos jogos, vencer o São Paulo e o Flamengo e retornar as rédias no Brasileirão. Mas acho muito improvável!

Ainda não é tarde para mudar! Ainda acho que o Marcão pode ser importante para auxiliar um possível novo treinador nessa transição de conhecer o clube e o elenco. Por isso, novamente, como já disse em algumas lives, a urgência da diretoria tricolor em começar a se pensar o planejamento de futebol para a próxima temporada. Como falei, acho que Thiago Larghi poderia ser esse nome do Fluminense!

Um treinador da nova geração do Brasil, muito estudioso e trabalhador, com conceitos novos e modernos de futebol, mas que precisa de uma nova oportunidade para poder mostrar sua capacidade como técnico. Além disso, não seria um nome caro. Com certeza, estaria dentro dos padrões financeiros do clube. Precisa de apoio e segurança para, pelo menos em 9-8 meses de uma temporada sem paralisações, podermos observar se o Fluminense comprará suas ideias!

Para finalizar, se não Larghi, que venha um outro. Tipo Roger Machado, que também não seria má opção! Não podemos jogar a temporada de 2020 fora! Ainda podemos salvá-la! Mas precisamos de um treinador! E com urgência! Marcão pode levar o Fluminense para uma pré-Libertadores? Pode! Futebol é muito improvável. Mas os números, as estatísticas e os fatos, indicam que não. A mudança é necessária e precisa ser feita agora!

ST

João Eduardo Gurgel

 


Compartilhe

7 thoughts on “Meu nome favorito para ser o técnico do Fluminense – Opinião de João Gurgel

  • 17/12/2020 em 16:07
    Permalink

    Um bom nome só descordo do tal água em pedra pois acho essa frase usada pela flamidia para menosprezar os trabalhos do fluminense ela surgiu nos tempos do Abel que no meio tinha Wendel, Scarpa e no ataque tinha Pedro Richarlyson e temos muitos bons jogadores na base agora se o Odair não utilizou foi por incompetência é só ver o que o cuca faz no Santos

    Resposta
  • 17/12/2020 em 17:13
    Permalink

    Acabei de ler o artigo e concordo com muita coisa, só não sei se 250 mil é um salário baixo.
    O Fluminense não quis pagar 200 mil por mês ao Dodi que enquanto estava atuando vinha sendo o melhor jogador do Fluminense e na minha opinião, um dos melhores volantes do Brasil (talvez atrás do Patrick de Paula do Palmeiras).
    E ele não tem lá tanta experiência treinando times, se for analisar, talvez tenha menos experiência do que o próprio Marcão (somando todas as passagens dele no Flu).
    Eu acho que os times do Thiago tem um estilo bem semelhante ao Flu do Odair (tanto que na época dele no Galo, as reclamações da torcida eram exatamente as mesmas que as da torcida do Flu).
    Eu adoro o Marcão, mas depois do jogo contra o Vasco (respondi em outro texto de opinião aqui do ST), me bateu um desânimo… Ouvir ele gritar “Fluminense, toca a bola!” contra um time tão feio como o cruz maltino, eu torcia pro Vasco empatar logo para o Flu voltar a jogar bola. Infelizmente o Marcão não pode ser técnico do Fluminense, acho o Thiago um bom nome, mas acho que ele podia receber 150 mil por mês, 250 é muito pra um cara que treinou apenas 1 time (o Goiás eu não vou considerar pelos motivos que você citou).

    Resposta
  • 17/12/2020 em 18:28
    Permalink

    Se um profissional como esse que estuda demais ainda assim os seus seus resultados demoram a aparecer, imagine o que se esperar dos resultados do Marcão que nem tecnico é.

    Resposta
  • 18/12/2020 em 00:03
    Permalink

    Gostei do histórico do Thiago , mas 250 é muito , ele ainda não fez um trabalho que justifique esse salário , mas seria um bom nome.

    Resposta
  • 18/12/2020 em 04:37
    Permalink

    Na minha opinião seria um Marcão com um m pouco mais de experiência. Praticamente trocar 6 por meia dúzia. Precisamos de um técnico que seja experiente, respeitado e que tenha coragem de tirar os medalhões que não estão rendendo.

    Resposta
  • 18/12/2020 em 06:10
    Permalink

    Imagine o Thiago conversando com o Flu hoje.
    Vendo a (não)programação de treinos após o vexame de 4a, iria cobrar mudanças, certo?
    Se cobrar, roda!
    Tem que ser amigão.
    Gosto do nome, mas no atual “Elenco+Presidente=PANELA” que dá as cartas no nosso Flu hoje, ele não caberia.
    Digo isso baseado na cobrança que fez no Goiás.
    Assim como qq técnico que não entube essa PANELA.

    Resposta
    • 18/12/2020 em 10:23
      Permalink

      André, concordo que um cara que nunca jogou bola na vida tenha dificuldade em barrar e cobrar os jogadores.
      Nós temos o Fred (da famigerada frase “jogar bola é fácil, eu ganho 1 milhão por mês”), Nenê (saiu de São Paulo e Vasco brigado), Ganso esse último já derrubou o Oswaldinho (como era chamado o Oswaldo Oliveira quando apareceu pro futebol), esses caras aí, tudo dono do time.
      Agora, o que eu não entendo é jogar culpa de alguma coisa na diretoria.
      Concordo que perdemos o Evanilson, o Dodi que são ótimos jogadores, e vamos perder o Marcos Paulo (que pelo que vejo, vai virar menos que o Ganso, que já joga com nome tem uns 10 anos).
      Os dois primeiros são muito bons, mas convenhamos, até dezembro do ano passado, quem iria querer investir em Evanilson? E até as finais do Carioca, quem iria conversar por renovação do Dodi?
      Mas fora isso, o que fazer com um time que deve 4 meses de salário pra jogadores e funcionários?
      Contratar jogador? Não dá! Pegar técnico que ganha 500 pau por mês? Dá não.
      A diretoria (pelas matérias que eu tenho lido pagou 14 meses de salários em 1 ano. Poxa, mas o ano tem 12 meses… Sim, agora estamos com 2 meses atrasados e mais o mês atual pra pagar.
      E esse ano dizem que foi de muitas perdas por causa da Covid (eu não sei se concordo com isso, pois a grana de ingressos não paga nem os gastos do estádio, pois não colocamos mais de 12 mil praticamente nunca).
      Ou seja, discordo com sua reclamação com relação a direção (Mas acho que se o Odair ganhava 250 mil, o Dodi também merecia receber isso, e não os 150 mil oferecidos).

      Resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *