Guga afirma que elenco reconhecia importância do ex-treinador, mas admite que troca de comando alterou o ambiente

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O Fluminense desembarcou na Argentina com um cenário diferente daquele vivido há poucos dias. Entre o empate sem gols com o Independiente Rivadavia, no Maracanã, e a partida decisiva pelas oitavas de final da Libertadores, o clube passou por uma mudança no comando técnico, demitiu Luis Zubeldía e entregou novamente a equipe a Marcão.

A alteração aconteceu em meio a um período de forte pressão sobre o elenco. Dois dias depois da saída do argentino, o Tricolor reagiu dentro de campo e venceu o Palmeiras por 3 a 2, no Maracanã, encerrando uma sequência de oito partidas sem vitória.

Em coletiva concedida na Argentina aos veículos de comunicação, o lateral-direito Guga falou sobre a repercussão da troca de treinador e explicou como o elenco recebeu a mudança. Apesar de destacar o respeito e o carinho pelo antigo comandante, o jogador reconheceu que o ambiente interno passou por uma transformação.

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Futebol tem dessas. Já passamos por isso em várias situações. Às vezes não está dando certo e é necessária a mudança. Mesmo sabendo que nosso comandante era um cara importante, que tinha o carinho de todo grupo e que a gente acreditava nas ideias. Mas não vinha dando certo. A mudança de energia dentro do ambiente foi o principal fator para a virada de chave.

Para Guga, a vitória sobre o Palmeiras chegou em um momento importante justamente pela maneira como o time conseguiu atuar. O resultado não apenas interrompeu a sequência negativa, como também aumentou a confiança do elenco antes da decisão continental.

Vitória sobre o Palmeiras aumenta confiança

O lateral classificou o triunfo diante do líder do Campeonato Brasileiro como um dos melhores cenários possíveis para o Fluminense chegar a uma partida eliminatória.

Você vencer o líder do campeonato depois de um momento conturbado é um dos melhores cenários para jogar uma decisão. Também da maneira que foi, conseguir a virada no final fazendo um bom jogo. Desde a volta foi o nosso melhor pelo que a gente mostrou em campo, atenção, intensidade. Não é fácil jogar contra o Palmeiras e conseguir impor nosso ritmo foi importante. Para essa decisão que temos pela frente. Que a gente possa manter para esse jogo de amanhã que vai ser muito importante.

O desempenho também serviu para reforçar uma cobrança que, segundo Guga, nunca deixou de existir dentro do grupo. Para o jogador, representar o Fluminense exige uma resposta compatível com o tamanho do clube, principalmente em momentos de sequência negativa.

Elenco admite cobrança antes da reação

A cobrança sempre existiu. A grandeza de quem representa o Fluminense não pode ficar tanto tempo sem vencer. Não só resultado, mas também boas atuações. Que era o que estava acontecendo. Existiu uma cobrança de todo mundo, normal. Acho que agora é conseguir manter o nível de intensidade e atenção. Era o que estava faltando antes. Comentamos que estávamos um pouco desconectados dentro do campo e não conseguimos encontrar. E tivemos muito isso no jogo contra o Palmeiras. É o que o Marcão tem cobrado muito. Sábado mostramos que somos capazes de buscar coisas grandes. A maior cobrança é manter o nível de atuação com atenção e intensidade do que capacidade técnica, que todo mundo sabe que temos e muita.

A preocupação agora é transportar esse nível de atuação para Mendoza. O Fluminense encara novamente o Independiente Rivadavia, adversário que já enfrentou três vezes na temporada. Até aqui, foram dois empates e uma derrota.

Guga espera uma partida de características semelhantes àquela disputada contra o Palmeiras, mas sabe que o time argentino apresenta perigos diferentes, especialmente quando recupera a bola.

Guga pede controle e atenção aos contra-ataques

A gente tem total condição de impor nosso ritmo. Pela nossa grandeza, pelos jogadores e características que temos. Viemos com o pensamento de ter o controle do jogo. Sabemos que é um time difícil. Tem contra-ataque, bola parada. É semelhante ao que a gente enfrentou no sábado contra o Palmeiras. Vamos ter a iniciativa e buscar a classificação dentro dos 90 minutos, com muito respeito e atenção.

O lateral também apontou um cuidado específico para o confronto, evitar que o Fluminense transforme a partida em um duelo aberto, situação que poderia favorecer o estilo de jogo do Independiente Rivadavia.

Não podemos entrar nesse jogo de trocação. É um time que contra-ataca muito. Se a gente conseguir ter o controle, evitar forçar bola por dentro para não dar o contra-ataque, é fundamental para ter mais volume e segurança. O que foi conversado já é essa organização tática para conseguir atacar com tranquilidade a parar os contra-ataques do Independiente Rivadavia.

Guga vê evolução individual como reflexo do coletivo

A boa atuação diante do Palmeiras também colocou Guga entre os jogadores que ganharam destaque na reação tricolor. O lateral, entretanto, evitou atribuir a evolução apenas ao próprio desempenho e ressaltou a influência do funcionamento coletivo.

Não parte só de mim. Quando o time está bem, todo mundo se entregando, a parte individual de cada um se sobressai. Acho que vai muito do time. Fomos muito bem contra o Palmeiras e isso ajuda a destacar as individualidades. A partida que o grupo fez ajudou a destacar minha individualidade.

Agora, o Fluminense precisa transformar a reação do último sábado em classificação. O empate por 0 a 0 no jogo de ida deixa a disputa aberta: uma vitória coloca o Tricolor nas quartas de final da Libertadores, enquanto um novo empate leva a decisão para os pênaltis.

A bola rola às 19h (de Brasília), no Estádio Malvinas Argentinas, em Mendoza. Sob o comando de Marcão, o Fluminense tenta confirmar em campo a mudança de ambiente apontada por Guga e dar mais um passo na busca pelo título continental.


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