OPINIÃO – O Flu que conseguiu jogar no Mineirão – por Pedro Rangel

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Quem esperava ver um Atlético-MG dominando o jogo, partindo para cima de forma impiedosa, de cara, teve que rever suas expectativas para o jogo. A decisão da comissão técnica em poupar Fred e Nene contribuiu para tanto, é bem verdade. Mas, conforme o jogo foi desenhando, essa decisão pareceu ser acertada. Para conter os líderes do campeonato, Odair precisava de mais pegada no meio de campo, e uma primeira linha defensiva capaz de acompanhar os primeiros movimentos dos jogadores atleticanos. Talvez com Fred e Nene em campo, isso não fosse possível de ser realizado.

A estratégia desenhada por Odair pareceu ter solucionado, ou melhorado, um dos grandes problemas de seu time: a transição rápida entre defesa e ataque. O meio mais leve, com atacantes mais rápidos, funcionou e o Flu começou melhor o jogo. Mesmo com a perda precoce de Pacheco – olha que coisa é o futebol – que deu lugar a Caio Paulista, no segundo minuto de jogo, o tricolor conseguiu levar perigo aos atleticanos, jogando na velocidade, contra uma dupla de zaga mais lenta. O Flu soube esperar o os mineiros, sem abdicar de atacar e mostrou eficiência nas conclusões das jogadas – foram 11 finalizações ao todo.

Os comandados de Odair conseguiram criar cinco chances de gol, contra o bem armado time de Sampaoli. Além do golaço de Caio Paulista – que anotou seu primeiro como profissional – Luiz Henrique teve a mais clara, quando dominou, cortou a zaga e meteu – de direita, que não é a boa – por cima do gol do abatido goleiro, que rezou para a bola não entrar. Ali poderia ser o segundo gol tricolor e uma sorte melhor na partida. Contudo, e após um primeiro tempo muito bom – e o lance do Luiz Henrique – o Atlético conseguiu apertar o Flu na defesa, com Marrony entrando e Arana atuando mais próximo do ataque. O Flu não resistiu muito tempo a essa investida e sofreu o empate. A partir daí, testemunhamos o “retorno” de MUROEL, que operou milagres no Mineirão.

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O time foi bem até cansar. A trinca de ataque não conseguiu manter o ritmo do primeiro tempo e caiu de produção. Talvez Odair pudesse ter mexido um pouco antes e apostado no estreante (entre os relacionados) Lucca. O treinador, no entanto, optou por trocar o veloz Luiz Henrique – que esgotado, pediu para sair – por Marcos Paulo, que não tem as características necessárias para sustentar o esquema tático proposto pelo Flu. Não no lugar de LH. Caio Paulista e Felippe Cardoso também deram sinais de cansaço e o time sofreu com isso. Se não tinha muitos jogadores de frente, talvez Odair pudesse ter experimentado Miguel ou ter optado pela entrada de Ganso mais cedo. O camisa 10 entrou bem, mais uma vez, devolveu o tom do meio. O time até tentou alguns contra-ataques, e no final um dos mais perigosos, quando Egídio apareceu bem pela canhota e serviu rasteiro Caio Paulista. O camisa 70, de prima, jogou por cima o gol que, provavelmente, nos traria os três pontos.

Alias, Egídio que retornou ao time no lugar do suspenso Danilo Barcelos,  e se não fez uma boa partida, jogou acima daquilo que vinha mostrando anteriormente. Outro, muito contestado por parte da torcida, Igor Julião fez a sua melhor apresentação, desde o retorno do futebol, e parece estar na frente de Calegari na ala direita – deve ser mantido por ali.

De uma forma geral, Odair soube montar o time e conseguiu jogar diante do líder. A trinca de meio-campistas (o treinador não gosta do rótulo “volantes”) se mostrou mais uma vez eficaz, enfrentando times rápidos – como nas finais do estadual – e é uma opção interessante para se pensar, sobretudo em jogos mais complicados, fora de casa. No entanto, o esquema para conseguir funcionar, carece de jogadores rápidos na frente. Com Fred no comando, por exemplo, esse esquema tende a se mostrar mais lento e, com isso, não conseguir ser efetivo lá no último terço do campo. Se considerarmos o retorno de Nene e Michel Araújo, o Flu perderá opções na frente, para as bolas rápidas e de arrancadas, mas ganha em criação no meio. Ainda assim, é um esquema que vale a pena explorar mais.

Agora o desafio é em casa, diante do Ceará, quando o Flu encerra a maratona de jogos. A partir de então, o tricolor somente atuará aos finais de semana, pois somente disputa o Brasileirão. Isso representa mais tempo para descansar e para treinar. Se Odair continuar mostrando essa evolução – já são 5 jogos invicto, com três vitórias e dois empates – o Flu se credenciará a brigar lá em cima da tabela. E como sempre digo por aqui… como sonhar não custa nada, quem sabe…

ST


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One thought on “OPINIÃO – O Flu que conseguiu jogar no Mineirão – por Pedro Rangel

  • 15/10/2020 em 18:41
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    É sintomático que SEM Nenê, Fred e Ganso o time tenha tido muita intensidade e mobilidade, decisivas para o que aconteceu no primeiro tempo.
    Hudson erra muito e não contribui nem na sua função e Felipe Cardoso efetivamente se atrapalha com a bola.
    Mas como o treinador é ultra incompetente e conservador, manterá o improdutivo Nenê (exceto em bolas paradas) como titular e possivelmente Fred – ex-jogador em atividade que pode acertar pontualmente uma cabeçada, mas virtualmente improdutivo. Sobre a insistência em Hudson, esse é um case a se estudar.

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