Mario explica planejamento financeiro do Flu e diz: “Às vezes precisamos tomar medidas que desagradam a muitos”

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Neste domingo (13/03), Mario Bittencourt, presidente do Fluminense, concedeu entrevista coletiva com transmissão da FluTV. O mandatário Tricolor esteve presente no CT Carlos Castilho para responder as perguntas dos jornalistas através de uma sala virtual. O principal assunto abordado pela imprensa e respondido por Bittencourt foi sobre a venda encaminhada do atacante Luiz Henrique para o Real Betis e a repercussão negativa da notícia entre torcedores.

Mario no CT Carlos Castilho
Mario Bittencourt em entrevista coletiva neste domingo – Foto: Reprodução

Perguntado sobre o planejamento financeiro do clube, o presidente deu a seguinte declaração:

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“A venda de jogador faz parte do planejamento. Existem duas janelas, a de final de ano e a de meio de ano. A melhor janela de vendas é sempre a de meio de ano, mas nós precisávamos fazer uma ou duas vendas na janela de final de ano para que nós pudéssemos suprir algo que não é de responsabilidade do Fluminense. A rescisão do contrato de televisão do campeonato estadual feita entre 2020 e 2021, repito, em 2021 conseguimos sobreviver pelo pagamento da rescisão. Está previsto no nosso orçamento, uma venda mínima entre 90 e 100 milhões de reais em ativos de jogadores para nós consigamos sobreviver. Em nenhum momento o fato de termos melhorado a performance dentro de campo, de ter montado um time mais competitivo, em nenhum momento eu vim aqui falar para vocês que as dívidas haviam sido quitadas e que o Fluminense se livrou das dívidas. Todas as receitas que a gente recebe são usadas para custeio do funcionamento do clube como um todo, departamento de futebol, enfim, Xerém, pagamento das viagens, logística. Só para vocês terem uma ideia, esses dois primeiros confrontos da Libertadores contra Millonarios e Olimpia nos custará de logística, em termos de avião, hotel e etc, mais de 2 milhões de reais. Então, tudo isso, atrelado ao fato de que nós perdemos receita significativa nos primeiros quatro meses do ano com a saída da televisão do campeonato carioca e também com esse cenário da gente não ter conseguido realizar as vendas, bem como o fato, da gente não ter as cotas de TV do campeonato brasileiro 100% liberadas já a bastante tempo. O que eu quero dizer para vocês é que isso não é um cenário de agora, esse cenário vem caminhando desde sempre e a gente vem conseguindo equilibrar os pratos para poder fazer esse trinômio: manter a estabilidade, pagar as dívidas e ao mesmo tempo, ir melhorando o time de futebol. O Fluminense fatura em média entre 250 e 270 milhões de reais por ano. Custa operacionalmente algo em torno de 190 e 200. Você vai me perguntar: “Então sobra 70”. Não, não sobra. Não sobra porque as dívidas comem mais do que os 70 milhões de reais por ano e é por isso que as vendas de jogadores são importantes, justamente porque dentro desse 270 milhões existem vendas de jogadores. Se não vendessem jogadores, faturaríamos algo em torno de 180, 170, empataria o custo de operação e ao mesmo tempo, a gente não teria dinheiro para suportar o pagamento das centralizações que a gente tá fazendo. Assim como o ProFut, de todas as dívidas e isso colapsaria o clube. O que a gente precisa compreender é: a gente fazendo o trabalho que a gente vem fazendo, aumentando performance e se Deus quiser, se a gente tiver um bom ano de performance, teremos mais premiação no futebol e vamos conseguir pelo menos manter um excelente time ou montar um time ainda melhor ano que vem, mas sempre gradativa. A gente não pode fazer aumentos de 100%, de 80% na folha, porque infelizmente, tudo isso passa por uma questão de reconstrução do clube. Falei para vocês no início, que duraria nove ou dez anos e acho que pelo trabalho que estamos fazendo, reduziu a mais ou menos uns quatro anos à mais pela frente. De quatro a cinco anos, vamos conseguir colocar tudo absolutamente nos trilhos. Ainda não está tudo nos trilhos, temos a dívida trabalhista agora com RCE que deverá ser aprovada em abril parcelada, tem a dívida civil, as dívidas FIFA, as dívidas do Tribunal Arbitral da CBF, as dívidas internacionais que temos de compras ou vendas que foram feitas, que não foram pagas pelo clube no passado – essas não tem centralização, não tem parcelamento. Felizmente, eu ouço isso de vários presidentes de clubes, especialmente daqueles que estão em situações financeiras muito piores do que estávamos em 2019, porque hoje eu posso dizer que estamos medianamente equilibrados, o que escuto é: “Presidente Mario, ainda bem que o Fluminense produz jogadores, revela, coloca no time profissional, consegue ter performance e ao mesmo tempo, a gente consegue fazer as vendas”. Poderíamos aguardar, esperar até o meio do ano, acredito que ele sairia do mesmo jeito porque as propostas iriam chegar, mas infelizmente, em razão do nosso cenário, talvez a gente não conseguisse esperar e por isso, a gente tá caminhando, temos um pré-acordo assinado em fevereiro, o atleta está ciente de tudo e isso não alterou a performance dele, mesmo sabendo de tudo que está acontecendo. Ele também tem o sonho de jogar lá, as propostas salariais são estratosféricas para um menino dessa idade e para finalizar, gostaria de dizer para vocês que quando chegamos em 2019, esse jogador estava em Xerém e não havia subido com a geração dele. O Odair e o nosso diretor executivo viram o jogador na Copinha em janeiro de 2020, pediram para que viesse para o profissional e na verdade, trouxemos um jogador que não havia subido no tempo de sua geração e temos a felicidade de termos transformado esse atleta num grande atleta profissional de futebol. Nesse momento, não vou negar para vocês, antes de ser presidente do Fluminense, sou um torcedor e a gente obviamente vai ficar com uma tristeza enorme no meio do ano se ele partir. Mas, precisamos às vezes tomar medidas que desagradam a muitos. Preciso lutar sempre pela instituição, estou aqui fazendo um trabalho de reconstrução de uma instituição que precisa viver para sempre e felizmente, conseguimos ter ainda um grande trabalho feito na nossa base para que a gente possa ao longo do tempo, aí sim reconstruir o clube e melhorar as vendas, poder recusar ofertas. A proposta pelo Nino era de 5 milhões de dólares, só que o Fluminense tinha apenas 60%. Eu exigi que o Fluminense recebesse no mínimo 4,5 milhões dos 5 e talvez se eu fosse um pouco mais flexível naquele momento e talvez eu fosse criticado por ter vendido o Nino por um valor daquele, eu talvez hoje não precisasse estar fazendo essa venda. Mas é tudo profetizar o passado”.

ST


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2 thoughts on “Mario explica planejamento financeiro do Flu e diz: “Às vezes precisamos tomar medidas que desagradam a muitos”

  • 13/03/2022 em 21:38
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    Ontém trataram com desprezo o recorde de vitórias que poderia ser alcançado facilmente, falta de respeito com o clube e com a torcida.
    Já imaginaram se quarta feira formos eliminados da libertadores ?

    Não esqueçamos da eleição no fim do ano !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Fora pavão !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Resposta

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