Fred é reapresentado oficialmente

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A novela mais longa e aguardada pela torcida tricolor teve um final feliz. Fred voltou para o Fluminense e foi reapresentado hoje, no CT Carlos Castilho. O atacante concedeu uma coletiva, virtual, para falar sobre o seu retorno. Com a presença de Mário, Fred foi questionado sobre muitos assuntos, o atacante garantiu estar feliz, falou das possíveis cobranças, do amor da torcida e muito mais. Confira as palavras do camisa 9:

Como está seu entrosamento?

Estou muito motivado e ansioso para a estreia. O professor perguntou se eu gostaria de participar já nesse primeiro jogo, devido ao longo tempo fora, apesar dos treinos terem sido bem fortes durante o período sem jogos. Senti o mesmo ambiente, todos bem unidos, vi muita qualidade, muita velocidade. É um time leve, motivado para fazer um grande ano. Tenho certeza que tudo vai dar certo, temos objetivo de fazer gols e buscar uma vitória, muito importante para nossa classificação.

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Fred, queria que você aprofundasse mais sobre a parte física. Você treinou no sítio, estava pedalando, está mais magro. Como está para o primeiro jogo?

Eu consegui treinar bem nesse período com bola. Devido a velocidade que marcaram nossa volta, não tivemos o tempo de trabalho ideal. Participei quase 10 dias dos treinos em casa, vi a entrega de todos. Foi muito bem trabalho pela comissão técnica inteira. Estávamos travados quando voltamos a treinar com bola. Ninguém vai estar nas condições ideais, mas vamos dar o melhor com a camisa do Fluminense. Fisicamente eu me sinto muito bem, isso ajuda na parte técnica. A maior deficiência, não só minha, mas de todos, vai ser essa parte técnica, porque todos estão há um longo tempo sem jogar. Mas vamos pegando isso com os treinos.

Depois de 4 anos longe, você ainda tem um sentimento de idolatria, de amor. Fale um pouco do carinho da torcida e da trajetória

Eu vi que é diferente o meu relacionamento com a torcida quando vi minha esposa, que não entende nada de futebol, falando que é diferente. Ela faz a marcação forte nas redes sociais e ela só vê mensagens de elogio e carinho, agradecendo a volta. Eu sempre deixei muito claro que o Fluminense é o lugar que mais me transformou, tanto quanto atleta, quanto meu caráter como pessoa, como ser-humano. Isso foi devido as coisas que conquistei, as dificuldades que passei. É o clube que tenho mais história, onde recebi mais apoio. E tenho certeza que vou poder retribuir mais uma vez dentro de campo. E fora de campo, pro que precisarem, estarei sempre disponível.

O retorno é um marco da sua gestão?

É um reparo histórico. A saída em 2016 não poderia ter ocorrido. Renovamos o contrato em 2015 depois da Flórida Cup. A proposta da China era muito boa, conversamos por horas. Ele se convenceu de ficar no Flu, mesmo não chegando perto da proposta que ele tinha. Fiz a oportunidade de fazer a segunda apresentação dele. O contrato era para durar até 2019. E certamente iríamos renovar para ele encerrar a carreira no Flu. Infelizmente ele saiu em 2016. Não vejo como um marco da minha gestão, mas sim da história do clube. Isso deve estar atrelado ao amor da torcida por ele…. e do amor dele pela torcida. Isso não era um compromisso de campanha. Eu fiz valer o que eu acho que toda torcida do Fluminense queria. O ciclo foi interrompido e agora recomeça para ele terminar a carreira dele conosco. E acho que ele vai seguir com a gente como representante da nossa marca e da nossa história.

Você estreou no Maracanã. Dessa vez será no Nilton Santos, que você conhece tão bem. Como vai ser voltar para um palco onde você se destacou tanto?

Minha assessoria me falou que estou a 2 gols do Loco Abreu. Então tenho mais um objetivo. O principal é ganhar. Eu quero fazer pelo menos um gol. Já tenho mais objetivo extra, com 2 gols eu igualo o Loco Abreu. Os números não pressionam, só motivam. Mas tem que aparecer de forma natural. E quem sabe eu escreva meu nome um pouco mais no Engenhão.  Nossos 2 Brasileiros foram lá, já conhecemos os atalhos. Prefiro o Maracanã, que é nossa casa. A música da Belzinha, eu recebi anteontem de noite, e eu fiquei bastante emocionado. Ficou muito bonita e eu gostaria muito que essa música fosse pra arquibancada.

Filha homenagear um ídolo. Como foi ?

M: A Bel nasceu em 2010. A primeira palavra que ela falou foi “Fredo”. Ela entrou em campo com ele em 2012, com 1 ano e 7 meses. Já era aficionada no ídolo. Ele estreou no campeonato em 2015 e ela entrou com ele, logo depois de voltar. E as outras fotos são na Flórida Cup, exatamente no dia que o Fred recebeu a proposta da China. É o maior ídolo dela. Eu não contei para ela, para fazer surpresa. Queria que minha filha sentisse a mesma coisa que a torcida. Vocês me perguntavam se ele ia voltar, eu não contava nem para minha filha. Eu não tenho a emoção da surpresa, porque tenho que negociar. Sempre tivemos um respeito mútuo. E ela queria homenageá-lo, faz aula de canto, é fã do Nando Reis. Ele chegou de bicicleta e ela teve a ideia de fazer uma música em cima dessa, que fala de Laranjeiras. Ela pediu que dissesses que eu ajudei. Ela queria ressaltar que não fez sozinha, mas a ideia foi dela. Isso comprova também a importância de um ídolo num clube de futebol.

Toda a torcida ficou muito empolgada com sua volta. Mas tem um ponto que é como vai encaixar você, Ganso e Nenê juntos. O que você acha? Já temos fatos verídicos?

A preocupação maior é do professor. O Odair teve muito sucesso com Guerreiro e D’alessandro jogando. Hoje, com a idade, lógico que não vamos performar como eramos antes. O Odair não tinha falado desse exemplo, mas me veio a memória aqui. Eles se deram bem lá, jogavam bem juntos. O que foi melhor pro grupo vai ser feito. Se jogar os 3 vai ser melhor, eu creio que vamos jogar. Se for 1, 2, 3 ou até nenhum…. vai ser o que for melhor pro clube. Entre 16 anos e 36 anos, todos querem jogar, dar passe, fazer gol. O elenco é muito jovem, é veloz, é forte também. Eu creio que vai ter um equilíbrio bom. Ninguém quer todo mundo jogando só pra frente ou pra trás. O equilíbrio é o ideal para tudo, seja na tática ou na combinação de jogadores. Fato verídico é que eu sonhei que fiz 19 gols amanhã e virei artilheiro do campeonato.

Você  já tem uma espécie de meta para essa volta? Você tem jogadores rápidos para te ajudar?

Enxergo bons jogadores sim. Temos jogadores de drible, muitos rápidos. Temos o peruano, temos o Wellington Silva, Marcos Paulo, Evanílson, cheira a gol também. Eu já chamo ele para encostar quando estiver do lado contrário, acho que a gente pode jogar junto também. Quando qualquer um vai formar um grupo, não adianta você ter um monte de jogador rápido e não ter um Ganso, que é um jogador que acha o espaço. Não adianta não ter um cara que não faz gol. Mas se tiver 2 finalizadores e ninguém criar condições, vai dar problema. Aqui no clube temos 5 a 6 jogadores que desequilibram com drible ou arrancada. O Evanílson é muito bom, eu to aprendendo com ele também. E tem o Ganso e o Nenê, que com meio-movimento, vão te achar. Vou me concentrar bastante para colocar a bola para dentro nas chances que tiver.

Quais foram as coisas que mais te chamaram atenção nesse retorno?

Estava acostumado com Laranjeiras. Eu não tinha uma estrutura muito grande, só o básico, o necessário. Quando cheguei no CT, já elogiei. Como que está estruturado. Temos 3 campos aqui, academia muito boa, assim como a fisioterapia. E a relação de transparência entre diretoria, comissão e jogadores. Não há distância entre as partes. Tem respeito, tem transparência. E todo mundo elogiando isso. Essa estrutura de pessoas trabalhando intensamente, com a estrutura do CT… dá uma paz grande. E oferece muita coisa para evoluir diariamente. Está de igual para igual com qualquer clube do Brasil.

Como o clube se estrutura para explorar a imagem do Fred?

M:Parte do contrato do Fred é relacionado justamente a exploração da imagem dele. Teremos uma linha de produtos exclusivas do Fred. Já está pronto, mas precisa ser aprovado pelos staff dele. E isso deve ser aproveitado no pós-carreira dele também. Não sei se vai ter o teu mini-craque, quem sabe? É assim que a gente pensa. E a hora que formos lançar, as mídias que cobrem o Flu serão chamadas. Espero que possa ser presencial, se não, será por live.

Sua história fala por si só, mas trás uma responsabilidade grande. A torcida cria uma expectativa grande, mas uma cobrança também. Isso te preocupa?

Eu sentia falta dessa cobrança e desse peso. Acaba que minha preparação se torna diferente. Eu me dedico mais, sei das minhas responsabilidades. Dentro do campo vai continuar a mesma coisa, mas entrega e dedicação estarão sempre presentes. Em momento algum eu tive medo de manchar minha história aqui. Seria covarde negar o lugar que amo, que tenho prazer em estar, para preservar uma história. Eu enxergo diferente. É hora de escrever novos capítulos na história do clube. E não tenho dúvida de que essa passagem será maior que a primeira.

Clube e jogador fizeram um esforço mútuo para o retorno do jogador. Você pode explicar as variáveis do contrato?

M: Tudo que falei, da música, da vó Nissinha. Eu não falo de valores, mas falo sobre construção do contato. Tem uma parte fixa na carteira, uma parte menor, fixa também, na imagem.  O restante do contrato é em cima dessas variáveis, não só o crescimento do sócio futebol, mas a questão da linha de produtos. A pergunta do Vinícius foi com mais emoção, a sua com mais tecnicidade. E elas se juntam. A criação dessa linha vai fazer com que o Fred seja nosso parceiro. A relação dele com patrocinadores que ele possa trazer. Tudo que for angariado da imagem dele, o maior % é do clube, o resto, com Fred. Por isso que a linha de produtos é fundamental, até para saber se haverá bons resultados. Sem isso, não conseguimos auditar todo esse instrumento que construímos para o retorno dele. E ele aceitou vir numa condição bastante inferior do que estava anteriormente. E só começa a receber integralmente quando começar o Brasileiro. Em Junho e Julho, a remuneração será de 2 salários mínimos.

É uma volta para resgatar a felicidade?

Todo início de ano a gente tem que tirar algo de dentro para ser melhor que o ano anterior. Nosso ano foi péssimo, mas eu fiz 21 gols. E ainda dei acho que 10 assistências. Mas o coletivo fala mais alto. Ao longo do ano, as portas se abrem e se fecham para os atletas. Eu passei momentos, achei que ia aposentar nessa parada. Fui para Roça, fiquei lá, pensei em parar. Até que meu preparador me chamou, falou para mudar a vida. Comecei a treinar, me dedicar, me cuidar. Ai entrei nas redes sociais, só coisa para cima da torcida tricolor. E aí pensei… é o único lugar que vai me resgatar, como sempre foi. Aqui é diferente. A camisa 9 do Fluminense faz gol sozinha. Eu to num clube que sempre sonhei em encerrar minha carreira.

Como você se enxerga na história do Fluminense? 

Eu não me enxergo no maior nível. Assis, Washington, Romerito, Castilho…. são lendas. E os 3 primeiros eu troquei ideia, caminhei junto. E eu via como a torcida tinha um carinho grande por eles. Eu via o tamanho deles e não conseguia me imaginar próximo deles. A pesquisa do Globoesporte, onde fui segundo, me deixou muito emocionado. Me fez enxergar como a torcida olha para mim. Aumentou meu amor, aumentou minha responsabilidade. E farei de tudo para corresponder e aumentar esse carinho enorme. Eu sempre agradeço a torcida do Flu.

Fica uma frustração por não ter torcida na reestreia? E acha que tem risco de lesão pela falta de treinos?

Eu não tenho dúvida que se tivesse tudo normal, que ia estar lotado. Porque foi assim em 2009, foi assim em vários jogos. E eu tenho certeza que ia ser assim pela movimentação que vejo. A torcida, todo mundo louco para ver seu clube. As campanhas na rede, #ÉPeloFlu, de sócios-torcedores… é muito bacana essa parte. Em relação ao risco de lesão, quem é da área vai entender melhor… A gente escuta isso do fisiologista. Correr é uma coisa, treino é uma coisa, jogo é outra. O risco existe, mas nós, jogadores, já saiu da nossa área. Entrou, entrega o máximo enquanto conseguir. Aumentaram o número de substituições, mas é um tempo muito curto.  O risco aumenta bastante, não só pela parte física, mas pela parte humana, por tudo que está acontecendo. Mas também vamos de coração aberto para levar alegria a quem está casa.

Fred, 1500 dias entre saída e e volta

Isso foi planejado por Deus. Só sinto coisa boa nas 2 semanas que estou aqui. Estou leve, feliz. Tenho certeza que vai ser as mesmas coisas que passei nos 8 anos que estive aqui. Sempre com gratidão, na hora de errar e acertar. Mesmo quando estava longe, observava aqui. E eu consigo olhar aqui e dar mais valor. Isso é muito bacana, motiva muito.

1500 dias falando da volta do Fred?

M: A história dos tijolinhos é muito boa. Realmente foram vários momentos ao longo desses 4 anos, não necessariamente falando sobre o retorno. Eu disputei eleição no ano que o Fred saiu. A gente não sabia se isso ia acontecer. Mas sempre reguei a planta. E agora posso falar, todas as vezes que o Fred vinha jogar no Rio ele fazia um churrasco depois da partida. Eu ia sempre. Se não desse tempo para ele fazer esse churrasco, visitava ele na concentração. Vi uma partida dele na Libertadores também. Almocei com o Fred uma vez e o pessoal do Cruzeiro brincou: veio assinar o contrato? Eu respeito muito o Cruzeiro, sempre me trataram bem, com muito respeito. E as coisas aconteceram, virei presidente. E pudemos reparar o erro histórico.

Fred, você já conversou com Odair sobre ser o capitão? E Mário, você pensa em aposentar a camisa 9 do Flu?

F: Não pode aposentar a camisa 9 do Fluminense nunca. Faz gol sozinha. Eu conversei com Evanílson sobre a camisa 9 e ele disponibilizou, queria agradecer publicamente a ele. O Odair vai escolher, não sei o que ele vai escolher. Temos vários líderes, Muriel, Digão, Ferraz, Húdson. Eles falam, orientam, cobram. Inclusive no treino. Quem colocar, estaremos bem representados. Não faço questão de número e de faixa, mas estou disponível para qualquer coisa. Mas eu devia ser capitão mesmo, fiz 2 gols no rachão hoje, contra o time do Nenê.

M: Acho que não podemos aposentar. Outros garotos querem vestir a 9. O Fred se orgulha de vestir a camisa do Washington, do Ézio. E ainda bem que o Evanílson não ligou de trocar, se não ia ficar difícil para Belzinha falar 99 das Laranjeiras. Não iremos aposentar a camisa.

Flu tem a oportunidade de ganhar e voltar a liderança geral da competição. Dá para parar os rivais e ser campeão ?

O Carioca é importante para qualquer time. Se a gente perde um jogo-treino no CT, vai sair na imprensa e vamos ser criticados. Não tem a importância do Brasileiro, mas tem a importância de derrubar treinador, desestabilizar um grupo. Queremos a liderança geral, que pode nos levar a uma final no geral. Vamos dar a vida, estamos confiantes. Não vai ser fácil, mas estamos confiantes que vamos ter uma grande vitória.

No fim, Mário e Fred deram um recado para a torcida.

M; Queria agradecer a torcida que vem fazendo campanha pelo Flu. Saiu de fora para dentro, é muito bom. Os planos que já existem estão sendo adquiridos, os planos estavam prontos para lançar em Março. Estamos avaliando com o marketing para quando iremos lançar esses novos planos. Estamos chegando em 30000 sócios e volto a lembrar: o sócio-torcedor é o maior patrocinador do Fluminense. Amanhã, vamos entrar com uma camisa preta e está todo mundo perguntando se ela vai ser vendida. Na verdade, os 10 maiores compradores de ingressos virtuais serão contemplados com as camisas. E o maior comprador ganhará a preta e branca. Elas serão colocadas na Sala de Troféus do Fluminense.

Pessoal, obrigado. Nós estamos ansiosos para que as coisas se normalizem, que a gente possa se abraçar, pegar na mão, tomar aquela pergunta pancada que vocês dão nas perguntas. Mas sei que todos vão estar com coração mole e vão pegar leve.

ST!

 

 

 


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