Quem é o Platense, adversário do Fluminense nas quartas da Libertadores
O Fluminense já sabe quem terá pela frente nas quartas de final da Copa Libertadores 2026. O adversário será o Platense, da Argentina, clube que eliminou o Coquimbo Unido, do Chile, nos pênaltis e chega pela primeira vez em sua história entre os oito melhores da principal competição continental.
Apesar de pouco conhecido pelo torcedor brasileiro, o “Calamar” tem uma história de mais de 120 anos e vive o período mais importante de sua trajetória. Campeão argentino pela primeira vez em 2025, o clube transformou a conquista nacional em uma campanha continental de destaque e agora terá o Maracanã pela frente.
O primeiro duelo contra o Fluminense será no Rio de Janeiro, na semana do dia 9 de setembro. A decisão da vaga para a semifinal acontecerá na Argentina, na semana do dia 16.
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Um clube de 121 anos
Fundado em 25 de maio de 1905, o Platense nasceu no bairro de Recoleta, em Buenos Aires. A origem do clube está ligada ao turfe. Os fundadores teriam utilizado o dinheiro obtido com a vitória de um cavalo chamado Gay Simon para comprar os primeiros materiais esportivos da equipe.
O nome Platense veio justamente do Stud Platense, enquanto as cores marrom e branca foram inspiradas no uniforme utilizado pelo jóquei do cavalo vencedor.
O apelido Calamar surgiu alguns anos depois. Em 1908, o jornalista Palacio Zino comparou os jogadores do clube a lulas por causa das condições dos campos onde o Platense atuava. Com frequência castigado por inundações, o gramado ficava tomado pela lama, e os atletas precisavam se adaptar ao terreno.

A comparação pegou. Mais de um século depois, a lula continua sendo um dos principais símbolos do clube.
O Platense também tem participação na história do futebol argentino. A equipe esteve entre os clubes que participaram da fundação do profissionalismo no país, em 1931, e acumulou décadas na elite nacional.
A trajetória, entretanto, também teve períodos difíceis. Depois de ser rebaixado em 1999, o clube passou mais de duas décadas longe da primeira divisão até retornar à elite em 2021.
O primeiro título argentino veio em 2025
A grande virada na história recente do Platense aconteceu no Torneo Apertura de 2025. Na primeira fase, o clube terminou em sexto lugar no Grupo B, com 23 pontos, e avançou para os mata-matas. A partir daí, começou uma sequência que colocou o Calamar no mapa do futebol argentino.
Nas oitavas de final, o Platense eliminou o Racing vencendo por 1 a 0 fora de casa. Depois, enfrentou o River Plate no Monumental e avançou nos pênaltis após empate por 1 a 1.
Na semifinal, novamente longe de seus torcedores, derrotou o San Lorenzo por 1 a 0.
A decisão contra o Huracán foi disputada em campo neutro, em Santiago del Estero. O Platense venceu por 1 a 0, com gol de Guido Mainero, e conquistou o primeiro título da primeira divisão de sua história.

A taça também garantiu ao clube a vaga inédita na Copa Libertadores.
O Calamar já mostrou que não se intimida fora de casa
A característica que chamou atenção durante a campanha do título argentino reapareceu na Libertadores.
O Platense caiu no Grupo E, ao lado de Corinthians, Peñarol e Independiente Santa Fe. E foi justamente longe de seus domínios que conseguiu alguns dos resultados mais importantes.
Na segunda rodada, venceu o Peñarol por 2 a 1 no Campeón del Siglo, em Montevidéu. Na última rodada, derrotou o Corinthians por 2 a 0 na Neo Química Arena.

A equipe terminou a fase de grupos em segundo lugar e avançou para as oitavas de final.
No mata-mata, encontrou o Coquimbo Unido. O primeiro jogo terminou empatado em 1 a 1, em Vicente López. Na volta, no Chile, houve novo empate, desta vez por 0 a 0.
A classificação foi decidida nos pênaltis. O Platense venceu por 7 a 6, após o goleiro Juan Pablo Cozzani defender uma cobrança na sétima rodada.
Quem são os principais jogadores?
O principal nome ofensivo do Platense é Franco Zapiola, de 25 anos. Revelado pelo Estudiantes, o meia-atacante é um dos jogadores mais importantes do sistema ofensivo e aparece como artilheiro da equipe na Libertadores.
Zapiola marcou dois gols na vitória sobre o Corinthians e também balançou as redes diante do Peñarol. Além da capacidade de finalização, é utilizado para acelerar as transições e encontrar espaços entre as linhas adversárias.
Outro jogador importante é Guido Mainero. Aos 31 anos, o atacante foi o responsável pelo gol que deu ao Platense o título argentino de 2025.
No setor defensivo, o torcedor brasileiro encontrará um rosto conhecido: Víctor Cuesta. Aos 37 anos, o zagueiro argentino passou por Internacional, Botafogo e Bahia, além de outros clubes de seu país. Experiente, ele é uma das referências da defesa do Calamar.
Ao lado dele aparece Ignacio Vázquez, capitão da equipe e outro jogador importante na bola aérea e nos duelos físicos.
No gol, Juan Pablo Cozzani ganhou destaque justamente na classificação contra o Coquimbo Unido. O goleiro foi decisivo na disputa por pênaltis e aparece como uma das peças de confiança da equipe.
Nico López é outro velho conhecido do futebol brasileiro
O ataque do Platense também conta com um jogador que esteve no radar do Fluminense.
Nico López, de 32 anos, chegou ao clube argentino em 2026 depois de construir uma carreira marcada por passagens pelo Nacional, Udinese, Internacional, Tigres e León. No futebol brasileiro, o uruguaio teve uma passagem importante pelo Inter, disputando 168 partidas e marcando 40 gols.
O atacante também esteve no radar do próprio Fluminense em 2025, quando defendia o Nacional. As conversas, porém, não avançaram, e Nico permaneceu no futebol uruguaio.
Martín Palermo, um velho conhecido do Fluminense
Se há um personagem do Platense que dispensa apresentação ao torcedor tricolor, é Martín Palermo.
O ex-atacante do Boca Juniors é atualmente o técnico do Calamar. Como jogador, construiu uma das carreiras mais marcantes da história do clube argentino e se tornou seu maior artilheiro.
Para o Fluminense, porém, Palermo é conhecido por outro motivo.
Em 2008, durante a campanha histórica do Tricolor na Libertadores, o argentino era um dos principais jogadores do Boca Juniors.
Na semifinal daquele ano, Palermo marcou o primeiro gol do Boca no jogo de volta, no Maracanã. O Fluminense reagiu e venceu por 3 a 1, com gols de Washington, Conca e Dodô, garantindo a classificação para a final da competição.
Dezoito anos depois, Palermo retorna ao Maracanã.

Como joga o Platense?
O torcedor tricolor pode esperar um adversário que não costuma depender de posse de bola para ser perigoso.
O Platense tem uma proposta baseada em organização defensiva, intensidade e transições rápidas. A equipe costuma trabalhar com linhas compactas, fechar os espaços pelo centro e tentar levar o adversário para os lados do campo. Quando recupera a bola, a prioridade é acelerar.
Zapiola aparece como uma das principais armas para conduzir os contra-ataques, enquanto Mainero oferece velocidade e profundidade pelo lado direito.
A bola parada também merece atenção. A equipe possui jogadores fortes no jogo aéreo e costuma explorar cobranças de falta e escanteios para colocar a defesa adversária sob pressão.
Por outro lado, o Platense pode encontrar dificuldades quando precisa assumir o controle da partida. Contra adversários que se fecham e deixam poucos espaços para a transição, a equipe tende a ter menos alternativas para construir ataques.
Para o Fluminense, portanto, controlar as perdas de bola e evitar oferecer campo para os contra-ataques será fundamental.
O segundo jogo será disputado no Estádio Ciudad de Vicente López, casa do Platense. A arena fica na região metropolitana de Buenos Aires e possui arquibancadas próximas ao campo, característica que ajuda a criar um ambiente de pressão nos jogos decisivos.

O estádio também passou por adequações para receber partidas da Libertadores.
A torcida do Platense tem forte ligação com a identidade de bairro do clube. Um dos torcedores mais famosos da história da instituição foi Roberto Goyeneche, um dos grandes nomes do tango argentino, que frequentava as arquibancadas do estádio.
O Platense pode não carregar o mesmo peso de camisa de outros argentinos que costumam aparecer nas fases decisivas da Libertadores, mas sua trajetória recente mostra que o Fluminense não encontrará um adversário inexperiente.
O clube eliminou Racing, River Plate e San Lorenzo na campanha do título argentino de 2025. Na Libertadores deste ano, venceu Peñarol e Corinthians fora de casa e agora eliminou o Coquimbo Unido nos pênaltis.
Além disso, conta com jogadores experientes como Cuesta e Nico López e tem no banco um treinador que conhece muito bem o ambiente de grandes confrontos sul-americanos.
Será o primeiro confronto oficial da história entre Fluminense e Platense.
E, para o Tricolor, conhecer o adversário antes de setembro é parte da preparação para uma eliminatória que pode colocar o clube novamente entre os quatro melhores da América.
O Fluminense abre a série no Maracanã e decide a vaga na Argentina. As quartas de final estão programadas pela Conmebol para as semanas de 9 e 16 de setembro.
