Análise: Fluminense perde identidade, expõe limites do elenco e entra em encruzilhada com Zubeldía
O Fluminense entrou em 2026 como um dos times mais organizados e agradáveis de assistir no país. Havia um modelo consolidado, com posse qualificada, circulação rápida e uma ocupação de espaços que potencializava talento individual dentro de uma ideia coletiva. Um mês depois, isso não existe mais. E não foi por acaso.
Os números ajudam a dimensionar o problema: duas vitórias nos últimos nove jogos, ambas arrancadas no fim, já no limite físico e emocional. Isso mostra um time que perdeu o controle do jogo e passou a depender de episódios.
A primeira camada dessa queda é estrutural. O modelo de Zubeldía não é simples de executar. Ele depende de jogadores específicos para funcionar, especialmente na construção por dentro. A ausência simultânea de Martinelli e Lucho Acosta desmontou o eixo criativo do time. Sem Martinelli, o Flu perde condução e progressão; sem Lucho, perde imprevisibilidade, último passe e capacidade de quebrar linhas. O resultado é um meio-campo mais “travado” e previsível.
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Isso expõe um problema mais profundo: o Fluminense perdeu a identidade, mas ainda não construiu uma alternativa.
Zubeldía, que antes era um treinador com respostas claras dentro do seu modelo, hoje parece reagir ao contexto sem conseguir controlá-lo. As mudanças não estão gerando evolução. E, quando isso acontece, a pressão naturalmente sai do campo e vai para o banco.
Agora entra a discussão inevitável: trocar ou manter?
Existe um ponto importante que precisa ser respeitado. O desempenho com Lucho e Nonato em campo é alto, mais de 70% de aproveitamento. Isso indica que o modelo, com as peças certas, funciona. Não é um trabalho vazio. Há base, há padrão e há um caminho identificado.
Por outro lado, o futebol não espera. O Fluminense está na lanterna do grupo na Libertadores, sem vencer, e precisa de um returno praticamente perfeito. O próximo jogo, fora de casa, não é só decisivo esportivamente, é um divisor de confiança. Se perde, a pressão vira insustentável. Se ganha, reabre o cenário.
A pausa da Copa aparece como uma linha estratégica clara. Se a diretoria acredita no trabalho, o racional é sustentar Zubeldía até lá, recuperar peças-chave e tentar reorganizar o time com reforços pontuais e tempo de treino, algo que simplesmente não existiu nas últimas semanas. Se a leitura interna for de esgotamento, a troca precisa ser imediata para aproveitar esse mesmo período como janela de reconstrução.
Ficar no meio do caminho é o pior cenário.
Hoje, não é um time ruim, mas é uma equipe desorganizada, vulnerável e dependente de peças que não estiveram disponíveis. A volta de Lucho pode recolocar o time nos trilhos, mas não resolve tudo. A defesa segue instável, os erros individuais se repetem e a confiança está claramente abalada.
O jogo contra o Independiente Rivadavia é o teste mais honesto possível sobre o que esse grupo ainda pode ser em 2026. Se entrar em campo com a mesma apatia e falta de profundidade, a pausa da Copa deixará de ser um período de treinos para Zubeldía e passará a ser o momento de integração de um novo treinador.
A equipe precisa decidir se quer jogar por uma ideia ou apenas por resultados. O futebol, como bem sabemos, é alérgico a explicações longas quando a bola não entra.
